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Entre escombros e taças: o rastro gaúcho que resiste na fachada bombardeada do Shakhtar

Por: Redação FutebolRS 28/08/2026 Notícias
A doze anos do início do conflito, a Arena Donbass segue abandonada e minada, mas ainda exibe os rostos de Luiz Adriano e Douglas Costa. Enquanto isso, o Shakhtar reconstrói seu elenco com uma nova geração de brasileiros.
Fora de Campo

Entre escombros e taças: o rastro gaúcho que resiste na fachada bombardeada do Shakhtar

Arena Donbass segue abandonada e cercada de placas de aviso sobre explosivos, mas as imagens de Luiz Adriano e Douglas Costa continuam na fachada — enquanto o clube ucraniano aposta em uma nova safra de jovens brasileiros

28 de agosto de 2026 · Porto Alegre · Redação futebolrs.com.br

Há paredes que resistem mais tempo do que os times que nelas se retrataram. Em Donetsk, a fachada da Arena Donbass ainda guarda, entre o mato alto e os vidros estilhaçados, os rostos de dois jogadores que um dia vestiram a camisa do Grêmio: Luiz Adriano e Douglas Costa. O estádio virou ruína de guerra. O clube, exilado, segue vivo — e volta a olhar para o Brasil em busca de futuro.

Um retrato que a guerra não apagou

Foi em 2014, ano em que a Crimeia caiu sob avanço russo, que o Shakhtar precisou deixar sua casa em Donetsk pela primeira vez. Àquela altura, a dupla de ex-gremistas formava a espinha dorsal ofensiva do time que disputava a Liga dos Campeões com ambição de gigante do Leste Europeu. Passaram-se doze anos. O clube segue sem endereço fixo, dividido entre Kiev, onde vive, e Lviv, onde manda seus jogos oficiais.

Nesta semana, o jornalista ucraniano Yuri Butusov, que cobre o conflito diretamente das linhas de frente, visitou o entorno do estádio abandonado. O que encontrou foi uma paisagem de concreto tomada pela vegetação, janelas quebradas pelo impacto de bombardeios e um símbolo que insiste em não desaparecer: os painéis com as imagens de Luiz Adriano e Douglas Costa, testemunhas silenciosas de um tempo em que o Shakhtar disputava taças, não sobrevivência.

⚠ Atenção: para impedir que o mato seja cortado, as forças russas instalaram placas alertando sobre a presença de explosivos na área ao redor da arena — um dos primeiros alvos atingidos quando o conflito avançou sobre a região.

Reconstrução com raízes locais — e brasileiras

Se a estrutura física do clube ficou para trás, o projeto esportivo seguiu adiante, forçado a se reinventar. Com a saída em massa de estrangeiros após o agravamento da invasão russa, em 2022, o Shakhtar passou a apostar quase exclusivamente em jovens formados em categorias de base ucranianas. Foi dessa fornalha que surgiu Mykhailo Mudryk, vendido ao Chelsea no início de 2023 por 70 milhões de euros — negócio que devolveu fôlego financeiro e confiança ao clube.

Fortalecido, o Shakhtar retomou no ano passado uma tradição antiga: garimpar talentos no Brasil. Hoje, são 13 brasileiros no elenco, e chama atenção o perfil majoritariamente juvenil do grupo. A contratação mais recente foi a do ex-Inter Gabriel Carvalho, que se junta a nomes como os laterais Vinicius Tobias, 22 anos, e Pedro Henrique, 24, o volante Marlon Gomes, 22, os meias-atacantes Eguinaldo, 22, Newertton, 21, Isaque, 19, Alisson Santana, 20, e Lucas Ferreira, 20, além dos atacantes Ryan Roberto, 18, Bruninho, 17, Kauã Elias, 20, e Luca Meirelles, 19.

Esses garotos vão disputar a Liga dos Campeões longe de casa, em Stamford Bridge — território do próprio Chelsea, que segue de olho na próxima joia ucraniana — e o Campeonato Ucraniano em Lviv, nunca em Donetsk.

Contexto apurado pela reportagem

Entre a fachada intacta de uma arena morta e o vestiário de uma geração inteira de brasileiros que talvez nunca pise em Donetsk, o Shakhtar segue escrevendo uma história paralela: a de um clube que perdeu o estádio, mas não perdeu a fome de recomeçar. Luiz Adriano e Douglas Costa, imortalizados numa parede cercada de mato e aviso de minas, são hoje menos lembrança de glória e mais metáfora de resistência.

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