Raphinha explica por que não comemorou os dois gols na vitória do Barcelona sobre o Aston Villa
Tem gol que sai e some no abraço com o companheiro, no grito pra arquibancada, na festa que todo atacante guarda pra si. E tem gol que sai e o jogador só olha pro céu, baixa a cabeça, segue o jogo. Foi assim que Raphinha balançou a rede duas vezes na vitória do Barcelona por 3 a 0 sobre o Aston Villa, nesta terça-feira (3), pela Liga dos Campeões. O capitão blaugrana marcou, mas não comemorou — e depois explicou o motivo: a notícia da morte de Jesús de Guilherme, centroavante do Tenerife, atingido em cheio após uma dividida com um goleiro na rodada anterior do futebol espanhol.
A partida: Yamal abre, Raphinha fecha a conta
Em campo, o Barcelona não teve dificuldades. Lamine Yamal abriu o placar e Raphinha deu conta do resto, com dois gols que selaram o 3 a 0 diante do Aston Villa. O resultado levou o time catalão aos nove pontos em quatro jogos na fase de liga da Champions, enquanto o brasileiro chegou à marca de 19 gols na temporada — número que reforça a fase artilheira do atacante, mesmo em um momento de cabeça longe das comemorações de costume.
"Não comemorei como costumo comemorar"
Depois do jogo, Raphinha foi direto ao ponto em entrevista à TNT Sports. Como capitão da equipe, disse sentir a responsabilidade de falar em nome do grupo sobre a tragédia que abalou o futebol espanhol um dia antes.
"Como capitão, é importante eu, em nome do clube, mandar muita força para a família do Jesús. Momento muito difícil. A maneira que foi é chocante, um rapaz da minha idade. Um companheiro de trabalho, poderia ocorrer com qualquer um."
O brasileiro contou que o impacto da notícia veio antes mesmo de entrar em campo, em uma conversa em casa que carregava o peso do que tinha visto mais cedo.
"A mim me tocou muito, conversei antes do jogo com minha esposa, estava com um sentimento ruim desde quando vi a notícia. Não comemorei o gol como costumo comemorar por isso."
Para Raphinha, o momento pedia outra prioridade — não o futebol, não os números, não a vitória na Champions, mas um olhar sobre o que realmente importa quando a vida é lembrada em sua fragilidade.
"Por essa tragédia venho aqui não falar sobre futebol, hoje é o que menos importa. É ver a vida de uma maneira mais feliz. Não ter que esperar esses acontecimentos para falar quanto a gente ama a quem a gente gosta."
O que aconteceu em Tenerife
A tragédia que motivou o gesto de Raphinha aconteceu na segunda-feira (2), no estádio Heliodoro Rodríguez López, durante a partida entre Tenerife e Andorra, pela Segunda Divisão do futebol espanhol. Nos acréscimos do jogo, De Miguel avançava em direção a uma bola longa quando o goleiro Jesús Owono saiu da área para tentar cortar o lance. Na disputa, o goleiro atingiu o atacante com um forte impacto.
De Miguel caiu imóvel no gramado. Jogadores das duas equipes pediram socorro imediato, e a equipe médica prestou atendimento por vários minutos antes de retirá-lo de campo em ambulância. Owono recebeu cartão vermelho direto pela entrada, e a partida foi suspensa definitivamente aos 108 minutos.
A morte de um atleta em atividade, por uma dividida de jogo, chocou o futebol espanhol e repercutiu em outros campeonatos da Europa — inclusive na noite de Champions do Barcelona, horas depois.
E agora? O Barcelona segue na briga pelas primeiras posições da fase de liga da Champions, com nove pontos somados em quatro jogos e Raphinha mantendo o status de artilheiro da equipe na temporada, com 19 gols. O caso de De Miguel, por sua vez, deve seguir repercutindo no futebol espanhol, com o lance de Jesús Owono sob análise das autoridades competentes.