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Piffero é absolvido em processo de lavagem de dinheiro, mas segue condenado em outros casos ligados ao Inter

Por: Redação FutebolRS 16/10/2026 Notícias
Ex-presidente colorado havia sido condenado a 12 anos e três meses de prisão nesta ação; decisão do Tribunal de Justiça não altera a situação de outros processos da gestão 2015-2016
Justiça / Inter

16 de outubro de 2026 · Porto Alegre · Redação

A Justiça gaúcha reescreveu, por um placar de 2 a 1, um capítulo da novela judicial que envolve a gestão do Internacional entre 2015 e 2016. Vitorio Piffero, ex-presidente do clube, foi absolvido nesta quinta-feira (15) pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul no processo que investigava um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma agência de viagens. A decisão, tomada em segunda instância, reverte a condenação de 12 anos e três meses de prisão que havia sido imposta a Piffero em primeiro grau — mas não encerra, de forma alguma, os problemas do ex-dirigente com a Justiça.

A virada no julgamento

O colegiado de desembargadores analisou o recurso apresentado pela defesa de Piffero e decidiu, por maioria, pela absolvição do ex-presidente nesse núcleo específico da investigação. A esposa do ex-dirigente na época dos fatos, Constance Muller Piffero, também foi absolvida no mesmo julgamento.

A decisão vale apenas para este processo. Ela não tem efeito sobre as demais ações judiciais que apuram irregularidades na administração colorada durante o biênio 2015-2016, que seguem tramitando separadamente e ainda não tiveram julgamento em segunda instância.

Quem segue condenado

Enquanto Piffero e a esposa saíram absolvidos, o mesmo julgamento manteve as condenações do ex-vice-presidente de finanças do Inter, Pedro Affatato, e de três empresários ligados ao setor de turismo. Os desembargadores optaram por reduzir as penas dos quatro, mas eles continuam obrigados a cumprir prisão em regime fechado.

Condenação mantida

Pedro Affatato

Ex-vice-presidente de finanças do Inter. Pena reduzida, mas cumprimento em regime fechado mantido.

Condenação mantida

Três empresários do turismo

Ligados às agências de viagens que prestavam serviço ao clube. Também tiveram penas reduzidas, em regime fechado.

A origem do caso: Operação Rebote

O processo julgado nesta quinta-feira nasceu dentro da Operação Rebote, deflagrada em 2018 para investigar supostos desvios na gestão do Inter. A denúncia contra os envolvidos foi formalizada pelo Ministério Público em 2021. Segundo a acusação, o esquema envolvia o uso da relação comercial entre o clube e empresas de turismo para gerar vantagens pessoais aos dirigentes — entre elas, o custeio de viagens e a obtenção de uma caminhonete Toyota SW4.


Piffero ainda não está livre da Justiça

A absolvição desta quinta-feira resolve apenas uma frente da investigação que atingiu a gestão colorada de 2015-2016. O Ministério Público dividiu o caso em diferentes núcleos — obras, departamento de futebol e setor jurídico — e Piffero segue condenado nos demais processos, todos ainda pendentes de julgamento em segunda instância.

Em 2024, uma primeira condenação havia atingido Piffero e Affatato por crimes de estelionato e formação de quadrilha, com Affatato respondendo também por lavagem de dinheiro. Na ocasião, a pena fixada para o ex-presidente foi de 10 anos de prisão, enquanto o ex-vice de finanças foi condenado a 19 anos e oito meses.

Uma segunda condenação, em outro desdobramento da Operação Rebote, envolveu também o ex-vice-presidente jurídico do Inter, Marcelo Castro, punido com 16 anos e quatro meses de prisão em regime fechado.

Posição do clube: procurada pela reportagem da GZH, a direção do Internacional informou que não vai se manifestar sobre a decisão do Tribunal de Justiça.

O caso Piffero é um dos capítulos mais longos da relação do Inter com a Justiça fora de campo, e a quinta-feira (15) marcou apenas mais uma virada — não o desfecho. Enquanto os demais núcleos da Operação Rebote ainda esperam julgamento em segunda instância, o Colorado tenta, dentro de campo, resolver um problema mais urgente: nesta sexta-feira (16), o time entra em campo direto contra o Mirassol, em jogo que pode tirar o Inter da zona de rebaixamento do Brasileirão.

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