Pênalti ignorado, crítica mineira e aviso de Renato: a repercussão da vitória do Grêmio sobre o Atlético-MG
A Arena ainda guardava o eco da festa quando a bola de um lance que não foi marcado começou a incomodar quem estava em campo. O Grêmio bateu o Atlético-MG por 2 a 0 neste domingo (1º), em Porto Alegre, pelo jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil, com gols de Carlos Vinícius e Noriega. A vantagem é confortável — o time de Renato Portaluppi avança mesmo perdendo por um gol no returno, em Belo Horizonte, no próximo sábado — mas o pós-jogo trouxe tanta discussão quanto a própria partida: um pênalti não marcado em Renan Lodi, a reação ácida de um comentarista ligado ao clube mineiro e o discurso de cautela do técnico gremista, que insiste que a classificação ainda não está garantida.
O lance que a arbitragem deixou passar
No segundo tempo, já com o Grêmio vencendo por 2 a 0, Carlos Vinícius tentou alcançar um cruzamento dentro da área e foi puxado pela camisa por Renan Lodi, que estava atrás do atacante e sem nenhuma condição de disputar a bola pelo alto. O puxão foi forte o suficiente para esgaçar a camiseta do centroavante gremista. Para o colunista Diori Vasconcelos, da GZH, o lance configurava pênalti claro — e o fato de o VAR não ter sido chamado para revisar a jogada reforça uma dúvida que já ronda o árbitro brasileiro há temporadas: qual é, de fato, o critério para uma intervenção.
Um gol com ajuda das regras do jogo
Mas o episódio do pênalti não foi o único a chamar atenção na análise da arbitragem. O primeiro gol do Grêmio também tem uma explicação que vai além do talento de Carlos Vinícius: na cobrança de tiro de meta de Weverton, o atacante já estava bem adiantado em relação à defesa do Atlético-MG, explorando uma regra pouco lembrada — não existe impedimento em cobrança de tiro de meta. Os defensores mineiros se atrapalharam na sequência da jogada e a bola sobrou para Carlos Vinícius abrir o placar.
A movimentação é compatível com o trabalho que Leonardo Gaciba vem desenvolvendo como consultor de arbitragem do Grêmio, orientando o elenco sobre detalhes do regulamento que podem render vantagem dentro de campo — uma prática legal, mas pouco explorada em cobranças de tiro de meta, diferente do que já é comum em laterais.
A reação em Minas: "infinitamente inferior"
Do outro lado da fronteira, a derrota caiu mal. Marques, ex-jogador do Atlético-MG e hoje comentarista da Rádio Itatiaia, foi duro ao avaliar a atuação do time mineiro — mas não poupou elogios ao elenco atleticano, justamente para reforçar a crítica ao desempenho em campo.
"Numa análise fria, o time do Grêmio é infinitamente inferior ao time do Atlético. Está claro isso. O Atlético teve uma porcentagem de posse de bola imensa dentro dessa partida e tomou dois gols em dois vacilos."
Para o comentarista, o problema não é novo: a fragilidade defensiva do Atlético-MG já vinha sendo apontada nas últimas semanas, justamente num time que construiu sua campanha na intensidade da marcação.
"O Atlético anda frouxo na marcação. Não está disputando bem em cima. Hoje, ficou claro. No segundo gol, quando eles tabelam pelo lado, tinha três atleticanos para dois gremistas."
"É um time operário. Só chegou nesse estágio porque marcava muito, tirava o espaço do adversário e lutava por cada palmo de campo. Infelizmente, isso não está acontecendo nos últimos jogos."
Marques foi além e questionou a preparação física da equipe mineira para o confronto, sugerindo que o planejamento da semana pode ter cobrado seu preço dentro da Arena.
"Eu não sei se a perna está pesada, e pode estar. Na minha opinião, a semana do Atlético foi desastrosa. O planejamento para esse jogo era para ter tanque cheio e os atletas descansados para fazer uma grande partida."
Renan Lodi: "Só bola do Weverton para o Carlos Vinícius"
Dentro de campo, quem assumiu o papel de defender a equipe foi o lateral-esquerdo Renan Lodi — justamente o jogador envolvido no lance do pênalti não marcado. Para ele, o resultado foi fruto de um estilo de jogo direto do Grêmio, mais do que de uma diferença real de qualidade entre as equipes.
"Desculpa falar, mas o jogo deles foi só bola do Weverton para o Carlos Vinícius, do Carlos Vinícius para o Weverton. Temos o segundo jogo dentro da nossa casa, temos totais condições de reverter esse placar. Quem joga no Galo sabe que esse placar não tem nada ganho."
A fala do lateral tem lastro no regulamento: o Grêmio só será eliminado no tempo normal se perder por três gols de diferença ou mais na Arena do Galo. Uma derrota por um gol já garante a vaga tricolor na final; por dois gols, a decisão vai para os pênaltis.
Renato: "Não ganhamos nada"
Na entrevista coletiva após a partida, na Arena, Renato Portaluppi chegou acompanhado da filha Carol Portaluppi e manteve o discurso que já é marca registrada em decisões de mata-mata: celebrar o resultado sem relaxar diante da vantagem construída.
"Toda vantagem é importante. Não ganhamos nada, o confronto é de 180 minutos e conquistamos uma vantagem nos primeiros 90."
A vitória sobre o Atlético-MG foi a terceira seguida do Grêmio na temporada, e o técnico aproveitou para elogiar a entrega do grupo, que divide a temporada entre a briga por vaga na final da Copa do Brasil e o esforço para escapar do rebaixamento no Brasileirão.
"Está bonito de ver a entrega do grupo de jogadores. Estamos trabalhando muito e confio no grupo."
O que vem agora
O jogo de volta da semifinal está marcado para o próximo sábado, na Arena do Galo, em Belo Horizonte. O Atlético-MG precisa vencer por dois gols de diferença para levar a decisão aos pênaltis, ou por três ou mais para eliminar o Grêmio dentro do tempo normal. Qualquer outro resultado — incluindo uma vitória mineira por um gol — garante a vaga tricolor na final da Copa do Brasil. Na outra chave da competição, o Palmeiras venceu o Vasco por 1 a 0 em São Paulo, e a volta será no próximo domingo, no Rio de Janeiro.