Fábrica de cristal: Palmeiras bate R$ 2 bilhões em vendas e deixa Real Madrid e Barcelona para trás
Fábrica de cristal: Palmeiras bate R$ 2 bilhões em vendas e deixa Real Madrid e Barcelona para trás
Negociação de Allan com o Manchester City coroa um ciclo iniciado com Endrick e reforça o Verdão como maior potência de formação e venda de talentos do futebol mundial desde 2022/23
Enquanto grande parte do futebol brasileiro ainda mede forças com a Europa apenas dentro de campo, o Palmeiras decidiu vencer essa disputa também no papel. Desde a temporada 2022/23, o clube paulista transformou sua base em uma linha de produção silenciosa e certeira, capaz de revelar talentos e vendê-los por valores que hoje colocam nomes como Real Madrid e Barcelona em segundo plano em uma estatística improvável: a de maior arrecadação com vendas de atletas no período.
Allan e o selo dos R$ 2 bilhões
A mais recente peça dessa engrenagem tem nome e sobrenome: Allan, negociado com o Manchester City por 40 milhões de euros, cerca de R$ 240 milhões nos valores atuais. A transação foi o empurrão final para que o Palmeiras cravasse a marca simbólica de R$ 2 bilhões somados em vendas desde 2022/23, um patamar que nenhum outro clube do país sequer chegou perto de alcançar no mesmo intervalo.
O número ganha ainda mais peso quando colocado ao lado dos gigantes europeus. Nesse recorte, o Real Madrid arrecadou 294,50 milhões de euros, o equivalente a R$ 1,76 bilhão, enquanto o Barcelona somou 342,70 milhões de euros, cerca de R$ 2,05 bilhões. Ou seja: um clube brasileiro superou — ou empatou tecnicamente com — duas das instituições mais ricas e tradicionais do planeta na arte de vender bem seus jogadores.
Uma base que virou vitrine global
A sequência começou a ganhar contornos históricos com Endrick, vendido ao Real Madrid por 60 milhões de euros, cerca de R$ 359 milhões, ainda em 2022. Depois dele, Vitor Reis seguiu o mesmo caminho rumo à Inglaterra, deixando o Palmeiras rumo ao Manchester City por 37 milhões de euros, algo próximo de R$ 222 milhões. Estêvão completou o trio de destaque ao ser negociado com o Chelsea por 61,5 milhões de euros, cerca de R$ 368 milhões.
Para Cláudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management no Brasil, empresa responsável pela carreira de Vitor Reis, esse desempenho não é acaso, mas resultado de um método amadurecido ano após ano dentro do CT palmeirense.
Hoje, o mercado olha para a base do Palmeiras com o mesmo respeito que olha para grandes academias europeias. A combinação entre tecnologia, metodologia e tempo de maturação faz com que o clube não apenas revele, mas maximize o valor de cada talento.
Cláudio Fiorito — CEO da P&P Sport Management no Brasil
A distância para Real Madrid, Barcelona e o Brasil
Com a chegada de Allan à Inglaterra, a vantagem do Palmeiras sobre o Barcelona no período passou a ser de 28,39 milhões de euros, cerca de R$ 170 milhões. Já em relação ao Real Madrid, a diferença se ampliou para 76,59 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 459 milhões a favor do clube brasileiro.
No cenário nacional, a distância é ainda mais evidente. O Flamengo, segundo colocado entre os brasileiros no ranking de arrecadação com vendas desde 2022/23, soma 161,38 milhões de euros, cerca de R$ 966 milhões — uma diferença de 209,71 milhões de euros, próximo de R$ 1,26 bilhão, a menos que o Palmeiras.
Mais do que uma sequência de boas vendas, os números expõem um projeto consolidado: o Palmeiras deixou de ser apenas competitivo dentro de campo para se tornar referência global em geração de valor a partir de sua própria base, um caminho que, a cada negociação, parece se tornar ainda mais difícil de ser alcançado pelos rivais.