"O Grêmio não nega danos": vice do clube defende prazo para bets em audiência no STF
- Grêmio embarca ao Rio com 28 relacionados, enquanto Atlético-MG recupera seis peças para a volta da semifinal
- Grêmio e Inter de Olho na Quarta-Feira: Rivais Diretos Entram em Campo Antes da Dupla Decidir Seus Próprios Jogos
- Grêmio vai ao Maracanã sem Weverton e Carlos Vinícius, enquanto Atlético-MG prepara retornos para a volta da semifinal
Tem dias em que o futebol se defende em campo, e tem dias em que precisa se explicar numa tribuna de mármore, diante de ministros, advogados e um país inteiro de olho na enxurrada de dinheiro que as bets injetaram no esporte. Foi assim nesta terça-feira (3) no Supremo Tribunal Federal, onde o Grêmio levou sua voz à audiência pública convocada para discutir a Medida Provisória 1.394/2026, que trata da regulação — e, em parte, da proibição — das casas de apostas ligadas ao futebol brasileiro.
Quem falou pelo clube foi Eduardo Schumacher, vice-presidente do Conselho de Administração gremista. Ele subiu à tribuna logo depois do intervalo que separou o turno da manhã da sessão, carregando um recado que não era de negação, mas de pedido de tempo.
O pano de fundo: a ADI 8027
A audiência foi marcada dentro da Ação Direta de Inconstitucionalidade 8027, protocolada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). A entidade pede duas coisas ao STF: a suspensão imediata da MP 1.394/2026 e, mais adiante, que a medida seja declarada inconstitucional de forma definitiva.
Não é uma sessão de julgamento. A audiência pública serve para reunir argumentos técnicos, econômicos e sociais que vão alimentar tanto eventuais pedidos de suspensão da MP quanto o mérito das ações que tramitam sobre o tema. Ou seja: nada foi decidido nesta terça, mas o que foi dito ali pesa no que vem depois.
A posição do Grêmio: nem defesa das bets, nem corte seco
Schumacher foi direto ao ponto que, segundo ele, ainda não tinha resposta clara dentro da própria MP: como fazer a transição sem provocar um rombo brusco nas receitas dos clubes.
O Grêmio não nega danos ou defende as casas de aposta. Viemos trazer a pergunta, com todo respeito, que a medida provisória 1.394/2026 não respondeu. A de como fazer a saída. Isso importa. Define se o esporte brasileiro irá se adaptar ou se sofrerá um choque que poderia ser evitado.
O dirigente defendeu uma saída dividida em duas frentes: de um lado, apoio à proibição dos cassinos online, tratada como questão de saúde pública; de outro, um prazo de adaptação para que os clubes possam se desvincular, de forma organizada, dos patrocínios do segmento ao esporte.
O futebol brasileiro não pede para ficar acima da saúde pública. Pede apenas o que todos os países que enfrentaram o problema concederam aos clubes: tempo para se adaptar. O destino pode ser o mesmo, só pedimos que a estrada não termine em um precipício.
O que vem agora
Com a fala do Grêmio somada às de outras entidades e representantes do futebol ouvidos na mesma sessão, o material recolhido deve seguir para análise dos ministros relatores das ações que questionam a MP. A expectativa dentro dos clubes brasileiros é que o argumento da transição gradual — e não da proibição imediata — ganhe peso na hora de o Plenário decidir se mantém, suspende ou derruba a medida provisória.
Enquanto o caso não entra em pauta, o impacto financeiro das bets no orçamento dos clubes gaúchos — Grêmio incluído — continua sendo tratado como ponto sensível pelos dirigentes, que tentam equilibrar a pressão regulatória com a dependência que o setor criou nos últimos anos nos contratos de patrocínio.