Sem unanimidade, mas indispensável: os números de MP mostram por que Barbieri não abre mão do meia
Sem unanimidade, mas indispensável: os números de MP mostram por que Barbieri não abre mão do meia
Contestado por parte da torcida em jogos recentes, o meia-atacante é peça frequente na engrenagem que mantém o Juventude na ponta da Série B
Nem sempre a métrica mais aplaudida é a que decide o placar. No Juventude que segue instalado na liderança da Série B, MP vive esse paradoxo particular: soma minutos, gols e passes decisivos, mas convive com desconfiança nas arquibancades. Os números, no entanto, contam uma história diferente da que ecoa das cadeiras — a de um jogador que Maurício Barbieri simplesmente não consegue tirar do time.
Presença que impressiona pela regularidade
Na campanha da Série B, MP esteve em campo em 20 das 24 rodadas disputadas pelo Juventude, tendo sido titular em 19 delas. Um aproveitamento que o coloca entre as peças mais utilizadas do técnico, mesmo sem carregar o rótulo de intocável. Ampliando o recorte para a temporada completa — somando Série B e Copa do Brasil —, são 32 partidas vestindo a camisa alviverde, 26 delas como titular, o que faz dele o sexto atleta com mais jogos no ano, atrás apenas de Alisson Safira, Jandrei, Marcos Paulo, Rodrigo Sam e Messias.
Faro de gol e o lance que ninguém viu
Além da presença constante, MP também pesa no placar: são cinco gols na temporada, dois deles diante da Ponte Preta, um contra o Londrina pela Série B, e mais dois na Copa do Brasil, na vitória sobre o Guaporé. O número o coloca ao lado de Raí Silva na artilharia do elenco em 2026, atrás apenas de Taliari — que já deixou o clube — e de Alisson Safira, ambos com seis tentos.
Mas nem só de gols marcados vive um meia-atacante. Contra o CRB, foi dele o passe que originou o pênalti sofrido por Amarilla, lance que Barbieri fez questão de destacar como exemplo do trabalho silencioso do jogador.
O MP é um jogador que nos ajudou em muitos momentos. De repente não fica tão evidente o trabalho que ele faz com e sem bola. Contra o CRB, o passe para o Amarilla no lance do pênalti sai do MP. E é claro, o Pablo já jogou ali muito bem, o Lucas Alves entrou ali muito bem, não quer dizer que o MP seja titular absoluto. Aliás, eu acho que se esse elenco tem dado uma prova ao longo da competição é que não existem titulares absolutos. Todos eles já saíram, já entraram.
Maurício Barbieri — técnico do Juventude
A resposta do treinador à cobrança da torcida
Questionado sobre a insatisfação de parte do torcedor com as escolhas para a posição, Barbieri preferiu blindar o critério técnico por trás das decisões, sem fugir da possibilidade de errar.
Difícil comentar sobre a opinião alheia. Todas as decisões são baseadas no que a gente entende que é o melhor para a equipe. E, claro, eu estou sujeito a errar. Sou ser humano. Posso fazer escolhas ruins em algum momento, mas eu acho que esse grupo tem demonstrado que aqueles que entram têm conseguido manter o nível ou melhorar.
Maurício Barbieri — técnico do Juventude
Entre a planilha e a arquibancada, MP segue seu caminho de utilidade discreta: nem sempre aplaudido, quase sempre escalado. Enquanto o Juventude sustenta a ponta da Série B, é justamente esse tipo de contribuição — o passe que ninguém credita, a presença que vira rotina — que Barbieri trata como parte essencial do time que ele vem construindo.