Nos acréscimos, pênalti polêmico tira vitória do Juventude sobre o Ceará
Faltavam poucos minutos para o Juventude dormir na ponta da Série B. A vantagem estava garantida, o cronômetro corria a favor e o time gaúcho já sentia o gosto da liderança isolada. Mas o futebol, principalmente quando mistura bola parada e sala de revisão, sabe ser cruel com quem sonha alto demais antes da hora. No apagar das luzes da 34ª rodada, neste sábado, na Arena Castelão, em Fortaleza, o Ceará buscou um empate em 2 a 2 justamente no momento em que o Juventude parecia ter a vitória garantida, e fez isso com um pênalti que deixou o banco gaúcho em polvorosa.
O duelo era decisivo na briga pelo topo da tabela. Uma vitória colocaria o Juventude na liderança isolada da Série B. Em vez disso, o time de Maurício Barbieri saiu de campo com a sensação de ter perdido dois pontos, e não ganho um. A arbitragem de Kleber Ariel Gonçalves da Silva (PR) foi o assunto da noite, protagonista em praticamente todos os gols da partida.
Primeiro tempo sem inspiração
A etapa inicial foi de pouca categoria técnica e muita disputa de espaço. O Ceará apostou no contra-ataque, mas pecou pela ansiedade — chegou a balançar as redes com Renzo López, mas o atacante estava em posição de impedimento. Do outro lado, o Juventude priorizou a posse de bola sem se expor, trabalhando mais pela bola longa. Em um lance de capricho, Marcos Paulo enfiou a bola para Alisson Safira, que parou no goleiro Richard. O ritmo caiu nos minutos finais e os dois times foram para o intervalo com o duelo zerado no placar e bastante aberto para a etapa seguinte.
Juventude sai na frente, mas sofre reação imediata
O time gaúcho voltou do vestiário com outra postura: linhas mais altas e marcação pressão logo nos primeiros minutos do segundo tempo. A estratégia funcionou. Aos 22 minutos, MP foi puxado dentro da área e o árbitro assinalou pênalti — lance que deixou o banco cearense em forte protesto. Na cobrança, Raí Silva deslocou o goleiro Richard e abriu o placar para o Juventude.
A reação do Ceará, porém, foi quase instantânea. Dois minutos depois, aos 24, Saulo Mineiro fez uma jogada individual de categoria, passou por dois marcadores e empatou a partida, acendendo o alerta no banco gaúcho.
Gabriel Pires devolve a vantagem
O empate não abalou o Juventude, que manteve a postura ofensiva. De bola em bola, a equipe foi envolvendo a defesa cearense até encontrar espaço novamente. Aos 32 minutos, Raí Silva cobrou escanteio e Gabriel Pires subiu livre de marcação para testar para o fundo da rede, recolocando o Juventude na frente, por 2 a 1.
Onze minutos de acréscimos e o pênalti que mudou tudo
Com a vantagem no bolso, o Juventude recuou as linhas e passou a administrar o resultado, apostando na defesa organizada para levar os três pontos para a Serra. O Ceará, pressionado pela necessidade, lançou uma blitz ofensiva nos minutos finais — e a árbitragem decretou um acréscimo de 11 minutos no segundo tempo, tempo mais do que suficiente para o drama se completar.
No último lance da partida, a bola bateu na mão de Rodrigo Sam dentro da área. O juiz revisou a jogada no VAR e confirmou o pênalti. Na cobrança, coube a Saulo Mineiro, autor do primeiro gol cearense, decretar o 2 a 2 na marca da cal, condenando o Juventude a sair de campo com apenas um ponto depois de ter construído a vantagem duas vezes.
Destaques da noite
Saulo Mineiro foi o nome do jogo pelo lado cearense, com participação direta nos dois gols da equipe — um de jogada individual, outro de pênalti nos acréscimos. Pelo Juventude, Raí Silva converteu o pênalti que abriu o placar e ainda deu a assistência de escanteio para o gol de Gabriel Pires, que subiu sozinho para cabecear no segundo gol gaúcho.
Ficha Técnica — Ceará 2 x 2 Juventude
| Ceará | Richard; Júlio César (Lenny Lobato / Lucca), Éder, Gabriel Silva e Sánchez; João Gabriel, Vinicius Zanocelo (Matheus Araújo) e Melk; Enzo Lodovico (Rian Santana), Saulo Mineiro e Renzo López (Vina). Técnico: Daniel Paulista. |
| Juventude | Jandrei; Rodrigo Sam, Messias (Gabriel Pinheiro), Marcos Paulo e Aderlan; Gabriel Pires, Raí Silva (Alan Kardec) e Diogo Barbosa; Fábio Lima (Lucas Alves), Alisson Safira (Lucas Mineiro) e MP (Juan Christian). Técnico: Maurício Barbieri. |
| Gols | Raí Silva, aos 22; Saulo Mineiro, aos 24; Gabriel Pires, aos 32 — todos do segundo tempo; Saulo Mineiro, nos acréscimos finais do segundo tempo (pênalti). |
| Árbitro | Kleber Ariel Gonçalves da Silva (PR) |
| Cartões amarelos | Éder, Messias e Alisson Safira |
| Público | 16.250 torcedores |
| Local | Arena Castelão, Fortaleza (CE) |
O que fica para a tabela
Com o empate, o Juventude aparece no momento na vice-liderança da Série B, com 61 pontos, e perdeu a chance de assumir a ponta isolada da competição. A equipe de Maurício Barbieri também viu adiada a chance de encaminhar com mais tranquilidade a vaga nos playoffs de acesso à Série A. Já o Ceará se aproxima da meta simbólica dos 45 pontos para garantir a permanência na divisão, somando agora 43 e ocupando a 13ª colocação.
Os dois times voltam a campo em sequência próxima. O Ceará segue como mandante na Arena Castelão e recebe o Goiás na terça-feira, dia 27 de outubro, às 20h, no encerramento da 35ª rodada. Um dia antes, na segunda-feira, 26 de outubro, às 20h30, o Juventude joga em casa, no estádio Alfredo Jaconi, diante do Náutico, em confronto direto pela briga na parte de cima da tabela.