No Barradão infernal, Renê sobe mais alto que a defesa e afunda o Grêmio
No Barradão infernal, Renê sobe mais alto que a defesa e afunda o Grêmio
Derrota por 1 a 0 para o Vitória em Salvador mantém o Tricolor a apenas três pontos do Z-4 e sem vitória fora de casa em toda a Série A
Salvador não tem piedade. O calor já venceu Weverton antes mesmo de a bola rolar — o goleiro desabou no gramado do Barradão com a visão embaçada, assustou o time e o torcedor, e mesmo assim entrou em campo. Mas o calor era apenas o aperitivo. O Vitória foi o prato principal. Na noite desta segunda-feira (7), com um gol de cabeça de Renê em cobrança de escanteio no segundo tempo, o time baiano derrotou o Grêmio por 1 a 0 e mandou o Tricolor de volta para Porto Alegre com a mesma velha sina: zero vitórias fora de casa no Brasileirão 2026.
Com a derrota, o Grêmio estacionou nos 28 pontos e permanece na 15ª colocação — a três do Vasco, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. O Vitória, ao contrário, respirou: chegou a 32 pontos, pulou para o 11º lugar e se afastou do Z-4 depois de duas derrotas seguidas.
Antes do apito: o susto com Weverton
A partida teve drama antes de começar. Minutos antes de o árbitro apitar, Weverton desabou no gramado do Barradão. O goleiro relatou aos companheiros que estava com a visão embaçada — provavelmente pelo calor intenso de Salvador. O departamento médico gremista foi acionado, Gabriel Grando chegou a aquecer como substituto, mas Weverton se recuperou e foi mantido como titular. Uma normalidade tensa que definiria o tom da noite.
Primeiro tempo: chances, gol anulado e superioridade do Vitória
Luís Castro não pôde contar com Amuzu, Jovane Cabral e Marlon — este último suspenso pelo terceiro amarelo. Kannemann também foi poupado. Com isso, Pedro Gabriel assumiu a lateral-esquerda e Tetê avançou para o ataque, com Pavón recuando para o lado esquerdo.
O início enganou. Aos seis minutos, Carlos Vinícius balançou as redes e o torcedor gremista vibrou — mas o bandeirinha já tinha o braço levantado. Impedimento automático, gol anulado. A chance foi real, e o Grêmio ainda criou mais: Pavón assustou aos 11 minutos, Diego Caito quase marcou de cabeça aos 13, e Carlos Vinícius chutou da entrada para boa defesa de Lucas Arcanjo.
Mas o Vitória foi crescendo. Com mais posse de bola e explorando os erros de passe de Villasanti e Noriega no meio-campo, o time de Jair Ventura começou a pressionar o gol de Weverton. Erick cobrou falta com perigo, Renê exigiu boa defesa. Gustavo Martins ainda precisou se atirar de carrinho para bloquear finalização perigosa de Matheuzinho aos 29 minutos. O Grêmio sobreviveu ao primeiro tempo — mas sabia que estava sendo superado no controle do jogo.
Segundo tempo: confusão, polêmica e o gol que decidiu
A segunda etapa começou mais quente no vestiário do que em campo. Pedro Gabriel mal tinha entrado quando levou cartão amarelo por discussão com Erick. O clima azedou de vez quando Caíque, volante do Vitória, trombeou com Noriega e acertou o gremista com um movimento de braço que os jogadores tricolores classificaram como soco. O árbitro Sávio Pereira Sampaio deu apenas amarelo — e a decisão gerou revolta.
O Caíque deu um soco nas costas do jogador do Grêmio. É lance para vermelho direto. — Diori Vasconcelos, comentarista de arbitragem da Rádio Gaúcha
Tentando reequilibrar o time, Castro realizou três substituições simultâneas aos 23 minutos: Nardoni, Danilo Barbosa e Enamorado entraram nas vagas de Villasanti, Noriega e Pavón. Mas enquanto o técnico ainda passava orientações na beira do campo, o Vitória aproveitou um escanteio para decidir o jogo.
Aos 17 minutos do segundo tempo, a cobrança de escanteio chegou na área e Renê subiu entre Wallace e Caio Paulista — dois zagueiros — sem ser marcado. O desvio de cabeça foi preciso: 1 a 0 para o Vitória. Um gol de bola parada, numa falha coletiva da defesa gremista que custou os três pontos.
O Grêmio ainda tentou: Braithwaite entrou no lugar de Carlos Vinícius na reta final. Nos acréscimos, Gustavo Martins teve a chance de empatar num chutão, mas o árbitro marcou falta na jogada. Weverton ainda evitou o segundo ao defender chute de Renato Kayzer. O apito final confirmou o que o desempenho coletivo já anunciava: derrota justa.
Destaques individuais
Weverton foi o melhor em campo pelo Grêmio. Mesmo tendo passado mal antes da partida, o goleiro fez defesas importantes em Erick, Renê e Renato Kayzer — sem ele, o placar teria sido mais elástico.
Renê foi o nome da partida pelo Vitória. Deu muito trabalho à defesa gremista no primeiro tempo com finalizações perigosas e ainda marcou o gol decisivo de cabeça no segundo — um centroavante que apareceu no momento certo, no lugar certo.
Diego Caito foi um dos pontos positivos do Tricolor como lateral-direito, com boa participação ofensiva e quase marcando no primeiro tempo. Krovinovic, por sua vez, tentou organizar o jogo pelo meio mas viu o entorno desmoronar: Villasanti e Noriega erraram demais antes de saírem.