Na reestreia de Renato, Weverton vira muro e Grêmio segura o Palmeiras no 0 a 0 da Arena
Na reestreia de Renato, Weverton vira muro e Grêmio segura o Palmeiras no 0 a 0 da Arena
Com dois travessões e goleiro inspirado, Tricolor arranca empate heroico diante de 50 mil — mas segue dentro do Z-4 com 29 pontos
O Palmeiras acertou o travessão duas vezes, chutou, cabeceou, cruzou e pressionou durante noventa e um minutos. Do outro lado, havia um muro. Chamava-se Weverton — e na noite deste domingo (20), diante de mais de 50 mil pessoas na Arena, o goleiro gremista entregou a atuação da temporada para arrancar um empate sem gols que, num cenário mais sombrio, poderia ter sido uma goleada. O 0 a 0 não tira o Grêmio do Z-4, mas devolve algo que faltava: a sensação de que o time consegue brigar.
A partida marcou a reestreia de Renato Portaluppi no comando do Tricolor — o técnico que já foi campeão da Libertadores pela Arena voltou ao clube em momento de crise, com a missão de tirar o Grêmio da zona de rebaixamento. O resultado, que não veio com vitória, veio com identidade: um Grêmio que correu, marcou e esperou a chance no contra-ataque. A receita antiga de Renato, apresentada numa noite que a torcida esperava há semanas.
Primeiro tempo: Vitor Roque no travessão, Weverton na defesa e Pavón no ataque
O Grêmio não esperou o Palmeiras tomar conta do jogo. Logo aos 3 minutos, Pavón partiu em velocidade pela direita, cortou para o meio e chutou cruzado — Carlos Miguel precisou se esticar para desviar. O Tricolor mostrou que viria de contra-ataque e que o ponta argentino seria a arma principal.
Mas o Palmeiras respondeu com força. Aos 16 minutos, Marlon Freitas cruzou na medida e Vitor Roque subiu sozinho para cabecear — a bola explodiu no travessão e voltou para o campo. Três minutos depois, o mesmo Marlon Freitas armou mais uma jogada, Vitor Roque ganhou de Wallace no alto e cabeceou de novo — e de novo o travessão salvou o Grêmio. Dois travessões em três minutos: a trave foi o segundo goleiro do Tricolor no primeiro tempo.
Weverton foi o primeiro. Gustavo Gómez cabeceou com perigo após escanteio e o arqueiro espalmou com segurança. Do outro lado, Carlos Vinícius recebeu livre na marca do pênalti aos 23 minutos mas desperdiçou a chance mais clara do Grêmio — finalizou mal e a bola foi pra fora. Nos acréscimos da primeira etapa, Pavón escapou em velocidade e parou em Carlos Miguel, enquanto Gustavo Martins cabeceou de dentro da área e a bola tocou a trave antes de sair. Três travessões em 45 minutos — dois do Palmeiras, um do Grêmio. O intervalo chegou com a impressão de que o gol estava perto, mas a bola teimava em não entrar.
Segundo tempo: Renato mexe, Palmeiras pressiona e Weverton faz história
A segunda etapa começou com o Palmeiras empurrando. Aos 8 minutos, Vitor Roque cabeceou firme dentro da pequena área e Weverton se jogou para desviar — uma defesa que arrancou o primeiro grito da Arena. O time de João Martins trocou jogadores e foi ficando mais pesado: entraram Felipe Anderson, Ramón Sosa, Maurício e Arthur ao longo do segundo tempo.
Renato também movimentou o banco: Danilo Barbosa assumiu o lugar de Noriega, Marcos Rocha entrou por João Pedro, Enamorado por Pavón, Braithwaite por Carlos Vinícius e Jovane Cabral por Amuzu. O Grêmio trocou praticamente todo o time de campo — e a defesa segurou.
Aos 24 minutos, Andreas Pereira recebeu na meia-lua e finalizou com força — Weverton voou no canto e espalmou para o lado. Giay cruzou rasteiro aos 30, e novamente o goleiro apareceu. Maurício chegou cabeceando na área e mandou para fora quando era mais fácil marcar. O assédio palmeirense foi enorme nos minutos finais — a Arena segurou a respiração em cada cruzamento.
O lance mais dramático veio nos acréscimos. Aos 51 minutos, Flaco López ficou cara a cara com Weverton, sem marcação, e finalizou — o goleiro defendeu com o corpo, com tudo que tinha. O apito final soou e a Arena explodiu. Um ponto de sobrevivência, conquistado na raça e no talento de um goleiro que, nesta noite, foi um time inteiro.
Destaques individuais
Weverton foi, de longe, o nome da partida. Ao menos quatro defesas difíceis ao longo da segunda etapa, além de intervenções cruciais no primeiro tempo. Num jogo em que o Grêmio foi superado na criação, o goleiro foi a diferença entre uma derrota e um empate que pode valer muito no fim da temporada.
Pavón foi o jogador mais perigoso do Grêmio com a bola. Nos primeiros minutos impôs velocidade, arriscou de longe e obrigou Carlos Miguel a trabalhar. Saiu no segundo tempo, mas deixou uma impressão positiva na estreia de Renato.
Vitor Roque foi o que o Palmeiras teve de melhor — e foi impedido de ser herói pelo travessão, não uma, mas duas vezes. Em outra noite, com menos azar ou mais sorte, teria decidido o jogo no primeiro tempo. A partida mostrou por que o centroavante é um dos mais perigosos do Brasileirão.
Wallace fez uma boa partida como zagueiro, com intervenções importantes nos momentos de maior pressão palmeirense. Balbuena, ao seu lado, completou uma dupla segura que permitiu ao Grêmio manter o zero.