MP denuncia 15 torcedores do Inter por espancamento de gremista após Gre-Nal de março
MP denuncia 15 torcedores do Inter por espancamento de gremista após Gre-Nal de março
Dez dos denunciados respondem por tentativa de homicídio qualificada; Ministério Público aponta associação criminosa organizada por grupos de mensagens para planejar ataques entre torcidas rivais
Cinco meses depois de um Gre-Nal terminar em perseguição e violência nas ruas do bairro Costa e Silva, a Justiça gaúcha deu um passo decisivo no caso que chocou o futebol do Rio Grande do Sul. O Ministério Público do Estado apresentou, nesta sexta-feira, denúncia formal contra 15 torcedores do Internacional apontados como responsáveis pelo espancamento de um gremista após o confronto entre integrantes de torcidas organizadas rivais, ocorrido em março, à margem da rodada do Campeonato Gaúcho.
Uma perseguição que quase terminou em tragédia
Segundo a investigação conduzida pelo Ministério Público, a vítima foi perseguida por um grupo de torcedores coloradas até ser alcançada na Rua Terezinha Turcato. Ali, cercado pela superioridade numérica dos agressores, o gremista foi agredido com socos, chutes e pedaços de madeira, sofrendo lesões classificadas como graves. Para a promotoria, apenas o atendimento médico rápido evitou que o episódio se transformasse em homicídio consumado.
Todos os denunciados, sem exceção, também foram enquadrados por participação em briga de torcidas, associação criminosa e corrupção de menor — este último item decorrente da presença de um adolescente entre os investigados, segundo apurou o órgão ministerial.
Três qualificadoras pesam contra os acusados
A promotora de Justiça Aline Baldissera, responsável pelo caso, sustenta a tentativa de homicídio com base em três qualificadoras. A primeira é o motivo fútil, associado diretamente à rivalidade entre as torcidas organizadas. A segunda é o meio cruel, em razão da intensidade e da forma da violência empregada contra a vítima. A terceira trata do recurso que dificultou a defesa do agredido, consequência direta da desproporção numérica entre ele e o grupo de agressores.
A gravidade das lesões e o modo como a vítima foi cercada e agredida demonstram planejamento e crueldade incompatíveis com um simples desentendimento entre torcedores.
Aline Baldissera — promotora de Justiça
Organização por trás da violência
Um dos pontos centrais da denúncia é a tese de que o ataque não foi um episódio isolado de fúria momentânea, mas parte da atuação de uma associação criminosa estruturada. De acordo com o Ministério Público, os investigados integravam um grupo voltado especificamente a ações violentas contra torcidas organizadas adversárias, valendo-se de aplicativos de mensagens para monitorar rivais, compartilhar informações sobre deslocamentos e planejar confrontos com antecedência.
Essa engrenagem, segundo a promotoria, é o que transforma rusgas pontuais entre torcedores em operações coordenadas — e é também o que justifica o enquadramento por associação criminosa, além das acusações individuais de agressão.
Pedido de indenização e próximos passos
Além das penas criminais previstas para cada um dos crimes imputados, o Ministério Público requereu à Justiça a fixação de uma indenização mínima em favor da vítima, como forma de reparação pelos danos físicos e psicológicos sofridos no ataque. Agora, cabe à 3ª Vara do Júri de Porto Alegre analisar o recebimento da denúncia e dar sequência ao processo, que pode levar os envolvidos a júri popular caso a acusação de tentativa de homicídio seja mantida.
O caso reacende o debate sobre a violência associada às torcidas organizadas no futebol gaúcho e cobra respostas duras do sistema de Justiça diante de episódios que, cada vez mais, escapam dos estádios e ocupam as ruas da Capital.