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Mobilização do Grêmio expõe racha interno às vésperas da decisão contra o Coritiba

Por: Redação FutebolRS 23/10/2026 Notícias
Em coletiva na Arena, Renato, Carlos Vinícius e Marlon tentaram vender união antes do duelo de segunda-feira (26), mas as entrelinhas do discurso do lateral deixaram escapar tensão no vestiário.
Grêmio · Brasileirão

23 de outubro de 2026 · Arena do Grêmio, Porto Alegre · Redação

Tem jogo que começa antes da bola rolar. Nesta sexta-feira (23), na zona mista da Arena, o Grêmio tentou construir, com palavras, a unidade que a tabela do Brasileirão está cobrando em campo. Reuniu técnico e duas lideranças do elenco, escolheu o horário nobre dos programas esportivos para dar o maior alcance possível ao recado e tentou transmitir confiança a cinco dias do jogo contra o Coritiba, decisivo na briga para sair do Z-4. Mas, entre uma frase e outra, o que deveria soar como discurso afinado deixou escapar fissuras que o clube queria esconder.

Uma coletiva pensada nos detalhes

Não foi por acaso que o Tricolor escolheu a sexta-feira para colocar Renato Portaluppi, Carlos Vinícius e Marlon diante da imprensa. O sábado teria a atenção dividida com o jogo do rival Inter contra o Botafogo, e o domingo será dominado pela cobertura da eleição presidencial. Restava a sexta, no horário em que a repercussão tende a ser maior nos programas esportivos. Houve até uma mudança de formato — a entrevista aconteceu na zona mista, e não na sala de imprensa —, mas isso acabou sendo o menor dos problemas depois do que foi dito.

A ideia era simples: mostrar o grupo coeso para encarar o duelo de segunda-feira (26), às 19h30min, no Couto Pereira, contra o Coritiba. Só que a postura dos entrevistados contou uma história um pouco diferente da que o clube queria passar.

Renato sem a energia de outros tempos

O técnico foi o primeiro a falar, e o tom chamou atenção mais pelo que faltou do que pelo que foi dito. Em um momento de pressão como este, a presença de Renato Gaúcho normalmente vem acompanhada de intensidade na voz e discurso de confiança — ingredientes que pareceram escassos nesta sexta, dando a impressão de um treinador desgastado pela sequência de resultados.

Carlos Vinícius nega racha, mas trata o jogo como final

Na entrevista coletiva, Carlos Vinícius foi direto ao tratar o confronto com o Coritiba como decisão. Para o atacante, não há mistério: o Grêmio precisa vencer, e ponto final.

"É final de campeonato. A própria diretoria já deixou claro. Temos esse jogo como uma final. Só importa a vitória. Temos que fazer esses três pontos. Estamos unidos com esse pensamento. É isso que o torcedor quer, que o presidente quer. A torcida vai lá. Sabemos desse movimento de estar em um só pensamento."

O centroavante também rebateu, de forma direta, as notícias sobre desentendimentos internos no grupo, negando que existam problemas de relacionamento no vestiário. Questionado sobre a dificuldade de o time criar chances para ele dentro de área, Carlos Vinícius preferiu não expor o técnico e falou em trabalho coletivo.

"Quanto mais bola chega para o centroavante, melhor. Obviamente, eu respeito a linha do treinador, ele que monta a equipe, a tática do jogo. Quero que a bola chegue. Os atletas sabem. A cobrança entre nós sempre existe. Temos que continuar trabalhando. É um coletivo. Tenho certeza que, quando ela chegar, vou estar preparado, assim como os outros jogadores."

O dado por trás da fala é revelador: o Grêmio tem apenas nove gols em 15 jogos como visitante no Brasileirão, o pior ataque da competição nesse recorte. Para o atacante, não existe um culpado isolado para o problema.

"É um conjunto de coisas, que vai dar na falta de vitórias fora de casa. A gente trabalha. É um trabalho de conjunto para que as coisas possam fluir bem."

Carlos Vinícius também foi questionado sobre as especulações envolvendo seu futuro, já que seu contrato com o Grêmio termina no fim desta temporada. O atacante negou qualquer acerto com outro clube e disse que, por ora, só pensa em ajudar o Tricolor a permanecer na Série A.

"Já falaram que eu tinha pré-contrato com o Atlético, com o Vasco, com o clube do México. A toda semana sai uma situação sobre isso. Eu não assinei pré-contrato com ninguém. Volto a repetir. Chegamos num ponto que a preocupação, minha e da diretoria, é deixar o Grêmio na primeira divisão. Para isso, temos que estar trabalhando. O meu foco é na permanência do Grêmio."

Marlon e as entrelinhas que expuseram o racha

Se Carlos Vinícius tentou fechar o assunto, foi a fala de Marlon que deixou claro que existe, sim, incômodo dentro do vestiário com a postura de alguns companheiros. O lateral, reconhecido por falar com clareza e lucidez, repetiu por diversas vezes a mesma linha: agora é hora de somar esforços para escapar do rebaixamento, e só depois será o momento de fazer a depuração dentro do grupo.

Marlon foi direto ao criticar o que considera uma postura de acomodação em momentos anteriores da temporada, quando problemas internos teriam sido varridos para debaixo do tapete sob a justificativa de que o Brasileirão era longo e haveria tempo de sobra para a recuperação. Para o lateral, essa lógica já não cabe mais.

Ele defendeu que agora é hora de suportar as cobranças e fazer escolhas corretas tanto na escalação quanto nas decisões dentro de campo — um recado que, nas entrelinhas, soou como cobrança por engajamento de todo o elenco para tirar o clube do Z-4.

O lateral também apontou que episódios de bastidores prejudicaram o rendimento da equipe dentro das quatro linhas e cobrou discernimento dos companheiros sobre o que representam ao vestir a camisa do Grêmio em campo. Ainda assim, isentou a diretoria e a comissão técnica de responsabilidade direta pelos resultados, destacando que são os jogadores que decidem as partidas.

O que ficou nas entrelinhas: enquanto o discurso oficial tentou vender unidade, a fala de Marlon sobre "depuração" e "discernimento" indica que o próprio grupo reconhece haver jogadores fora do compromisso esperado — um racha que o clube prefere tratar depois da reta final contra o rebaixamento.

A tabela que pressiona o Tricolor

Com 31 pontos, o Grêmio ocupa a 18ª posição do Brasileirão e entra em campo na segunda-feira (26), às 19h30min, no Couto Pereira, sabendo que o resultado pode (ou não) abrir uma brecha na luta contra o descenso. A rodada 32 reserva uma secada e tanto para o torcedor tricolor.

Para sair do Z-4 já na próxima rodada, o Grêmio precisa vencer o Coritiba e torcer por tropeços de Inter e Corinthians, ambos no sábado (24). O Corinthians, com 33 pontos, precisa perder para o Vasco, em São Januário, às 18h30min, ou empatar — desde que o Tricolor goleie o Coxa por quatro gols de diferença para superar o saldo. Já o Inter, com 32 pontos, precisa tropeçar diante do Botafogo, no Beira-Rio, às 16h30min.

É a famosa combinação de vencer e secar, rotina que já virou hábito na reta final do Brasileirão tanto para o Grêmio quanto para o Inter — ambos presos na briga contra o rebaixamento junto com Vitória, Mirassol, Vasco e Corinthians.


A mobilização de sexta-feira tinha um objetivo claro: blindar o grupo antes de uma partida tratada internamente como decisão. Conseguiu, em parte, reforçar o discurso de unidade pela voz de Carlos Vinícius. Mas a fala de Marlon, cheia de recados a setores específicos do vestiário, deixou escapar que o Grêmio só vai discutir seus problemas internos depois de resolver o problema mais urgente: escapar do Z-4. Até lá, a palavra de ordem segue sendo a mesma repetida pelo atacante — só importa a vitória.

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