Mirassol surpreende Internacional no Beira-Rio e complica situação colorada no Brasileirão
O cenário no Beira-Rio na manhã deste domingo (19) era de esperança, com mais de 30 mil torcedores presentes para empurrar o Internacional contra o então lanterna do Brasileirão, o Mirassol. No entanto, o que se viu em campo foi a repetição de um roteiro traumático para a torcida colorada em 2026. Com uma atuação apática na primeira etapa e erros individuais comprometedores, o time comandado por Paulo Pezzolano foi derrotado por 2 a 1, consolidando-se como o pior mandante da competição e vendo o Z-4 se aproximar perigosamente, apenas um ponto acima da zona da degola.
A preparação para o jogo já havia sido marcada por uma notícia negativa: a lesão muscular de Sergio Rochet. Sem o seu líder defensivo, o Inter entrou com Anthoni no gol e uma linha defensiva improvisada, com Bruno Gomes atuando na lateral esquerda. A escolha tática de Pezzolano, que optou por Allex como meia aberto e deixou Carbonero no banco, visava ter mais controle de posse, mas o que se viu foi um time previsível. O Mirassol, sob o comando de Rafael Guanaes, montou uma estratégia clara de transição rápida, explorando justamente as costas dos laterais improvisados do Internacional.
O início da partida até deu a impressão de que o Inter dominaria as ações. Com Villagra e Paulinho tentando organizar o meio-campo, o Colorado girava a bola, mas esbarrava em um sistema defensivo paulista muito bem postado com três zagueiros. Aguirre e Vitinho tiveram chances em chutes de fora da área, mas sem direção ou força suficiente para vencer o goleiro Walter. O castigo pela falta de agressividade veio aos 21 minutos. Em um contra-ataque fulminante, Alesson recebeu pela esquerda, passou com facilidade pela marcação e cruzou rasteiro. Lucas Oliveira, livre de marcação dentro da pequena área, só teve o trabalho de escorar para o fundo das redes, silenciando o estádio.
O gol desestabilizou emocionalmente o Internacional. A equipe passou a errar passes simples e a se expor ainda mais aos contragolpes. Aos 34 minutos, o Inter teve sua melhor chance de empatar na primeira etapa: Allex cruzou, Vitinho ajeitou de cabeça e Bruno Gomes, de frente para o gol, finalizou por cima, desperdiçando uma oportunidade clara. Quando o primeiro tempo se encaminhava para o fim, o golpe de misericórdia. Aos 44 minutos, em nova falha de posicionamento da zaga colorada, André Luís recebeu um lançamento milimétrico de Alesson, ganhou na velocidade e, com enorme frieza, tocou por cobertura na saída de Anthoni. Um 2 a 0 que levou o time para o intervalo debaixo de uma das maiores vaias da temporada.
No retorno para o segundo tempo, Pezzolano tentou corrigir os rumos enviando Carbonero a campo no lugar de Aguirre. O time ganhou profundidade e passou a cercar a área do Mirassol. Carbonero e Alan Patrick obrigaram Walter a realizar boas intervenções, mas a ansiedade era nítida em cada conclusão. O técnico colorado gastou todas as suas fichas colocando Bruno Tabata, Alerrandro e Thiago Maia, transformando o time em um bloco de ataque total, porém desorganizado. O Mirassol, por sua vez, abdicou completamente de jogar, formando uma linha de cinco defensores e rebatendo cada bola alçada na área, enquanto o relógio corria a favor dos visitantes.
O gol de honra só veio aos 47 minutos da etapa final, quando a maior parte da torcida já deixava as arquibancadas em sinal de protesto. Carbonero arriscou de longe, a bola desviou na defesa e sobrou para Alan Patrick. O capitão colorado dominou e bateu firme de pé esquerdo, vencendo Walter. Houve uma pressão final nos três minutos restantes, mas sem chances reais de empate. Após o apito final, os jogadores do Inter deixaram o gramado rapidamente sob fortes protestos e gritos contra a diretoria e a comissão técnica, enquanto o Mirassol celebrava sua primeira vitória como visitante, deixando a lanterna para trás.
Na zona mista, Alan Patrick tentou explicar o momento difícil: "Não podemos aceitar perder tantos pontos em casa. O torcedor tem razão em cobrar, nós produzimos, mas não estamos sendo efetivos e estamos sofrendo gols em falhas que trabalhamos para corrigir". Paulo Pezzolano, em entrevista coletiva, assumiu a responsabilidade pelas escolhas táticas, mas ressaltou o nervosismo do grupo. Agora, o Internacional precisa virar a chave rapidamente para o compromisso pela Copa do Brasil contra o Athletic-MG, em Florianópolis, enquanto o Mirassol viaja para enfrentar o Bragantino, também pelo mata-mata nacional.
Ficha Técnica e Detalhes Adicionais
Campeonato Brasileiro - 12ª Rodada
Internacional (1): Anthoni; Aguirre (Carbonero), Félix Torres, Victor Gabriel e Bruno Gomes (Thiago Maia); Villagra, Paulinho (Alerrandro), Vitinho (Bruno Tabata), Alan Patrick e Allex (Kayky); Enner Borré. Técnico: Paulo Pezzolano.
Mirassol (2): Walter; Willian Machado, João Victor e Lucas Oliveira; Igor Formiga, José Aldo, Denilson (Neto Moura), Shaylon (Edson Carioca) e Reinaldo (Victor Luis); André Luís (Nathan Fogaça) e Alesson (Carlos Eduardo). Técnico: Rafael Guanaes.
Gols: Lucas Oliveira (21/1ºT) e André Luís (44/1ºT) para o Mirassol; Alan Patrick (47/2ºT) para o Internacional.
Arbitragem: Davi De Oliveira Lacerda (ES), auxiliado por Nailton Junior de Sousa Oliveira (CE) e Pedro Amorim de Freitas (ES). VAR: Rodrigo Nunes de Sá (RJ).
Público: 30.052 torcedores (R$ 1.062.000,00).