"Minha família é quem mais está sofrendo": capitão do Inter desabafa sobre a luta contra o rebaixamento
Tem um tipo de cansaço que não aparece na súmula. Depois do pênalti que salvou o Inter nos acréscimos contra o Coritiba, na noite desta terça-feira (3), no Beira-Rio, o zagueiro Gabriel Mercado não falou de tática nem de posicionamento de zaga. Falou de casa. Aos 39 anos, capitão improvisado pela ausência de Alan Patrick, o experiente defensor revelou que o verdadeiro custo da briga contra o rebaixamento recai sobre a própria família, incapaz de dividir com ele a tensão de um fim de temporada outra vez disputado ponto a ponto.
A vitória por 1 a 0, com gol de pênalti de Alerrandro já nos acréscimos do segundo tempo, tirou o Inter da zona de rebaixamento — ao menos provisoriamente, já que o time chegou aos 38 pontos e subiu para a 16ª posição. Mas o alívio durou pouco diante da fala do zagueiro, que expôs o desgaste pessoal de quem tenta, pela segunda temporada seguida, puxar o Colorado para fora do Z-4.
O desabafo sobre a família
Na zona mista do Beira-Rio, Mercado foi direto ao ponto que mais pesa. Disse que sabe da responsabilidade que carrega no vestiário e que segue tentando motivar os companheiros, mas admitiu que o preço emocional da temporada tem sido pago, principalmente, por quem está fora de campo.
"Sei da responsabilidade que tenho. Tento sempre puxar para cima meus companheiros. Vou fazer minha parte. Acho que minha família é quem mais está sofrendo tudo isso porque não consigo dividir meu trabalho com a vida privada. Eu gosto muito deste clube e tenho muito compromisso. No final da minha carreira, jogando pela honra, o que mais quero é deixar o Inter na Série A. Então, eu vou dar até o que não tenho para poder ajudar o clube e tirar o Inter desta situação."
A frase "no final da minha carreira" não passou batida. Com contrato até o fim da temporada 2026 e 39 anos completos, Mercado deixou no ar a possibilidade de pendurar as chuteiras após a decisão da permanência do Inter na Série A — um desfecho que o próprio zagueiro trata como meta pessoal antes de qualquer decisão sobre o futuro.
Capitão por acaso, titular de volta
O duelo contra o Coritiba marcou a volta de Mercado ao time titular depois de duas ausências seguidas: ficou de fora contra o Botafogo por suspensão e foi poupado diante do Fluminense por opção técnica de Eduardo Baptista. Com a lesão de Alan Patrick, o zagueiro herdou a braçadeira de capitão justamente na partida em que o Inter mais precisava de liderança dentro de campo.
A leitura da sequência recente
Mercado também fez um balanço das últimas rodadas, marcadas por reveses e polêmicas de arbitragem que, na visão do zagueiro, deixaram o grupo colorado sem margem de erro.
"A gente já não tinha mais margem, né? Era tentar fazer pontos fora. Contra o Mirassol tivemos o acidente da expulsão e mesmo assim fizemos para poder trazer ponto. Com o Fluminense, fomos claramente prejudicados pelo juiz. E hoje também o juiz não teve o mesmo critério para os dois times. Isso nos deixou um pouco mais tensos e favorecia o jogo do Coritiba. Mas, mesmo assim, não desistimos e tentamos chegar pelas beiradas, criar volume e nas últimas jogadas, graças a Deus, chegou o gol."
O pênalti que decidiu o jogo saiu de um lance duro: Rodrigo Moledo acertou Juninho com a sola da chuteira dentro da área, e o árbitro, após revisão do VAR, marcou a penalidade a favor do Inter. Alerrandro cobrou no canto, sem chance para o goleiro do Coritiba, e carimbou a vitória que devolveu um pouco de fôlego ao Beira-Rio.
Faltam quatro rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, e o Inter vai estacionar por duas semanas por conta da data Fifa. O time de Eduardo Baptista só volta a campo no dia 19 de novembro, quando visita o Vasco, no Rio de Janeiro, em outro confronto direto na briga contra o rebaixamento. Para Gabriel Mercado, o enredo pessoal segue em paralelo ao coletivo: tirar o Inter da Série B seguirá sendo, segundo o próprio zagueiro, a prioridade absoluta antes de qualquer decisão sobre seguir ou não em campo.