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Juventude vai à guerra contra a arbitragem após novo empate controverso com o Ceará

Por: Redação FutebolRS 17/10/2026 Notícias
Em nota oficial, clube classifica atuação do árbitro e do VAR no Castelão como "vergonhosa" e lista sete episódios recentes de prejuízo na Série B; técnico e presidente também criticam duramente os 11 minutos de acréscimo e o pênalti do empate em 2 a 2.
Série B · Arbitragem

17 de outubro de 2026 · Castelão, Fortaleza (CE) · Redação

Tem jogo que termina no apito e tem jogo que termina na indignação. No Castelão, neste sábado (17), o Juventude saiu de campo com um empate em 2 a 2 diante do Ceará, pela 34ª rodada da Série B, mas o que ficou foi a sensação de injustiça. Duas vezes à frente no placar, o time gaúcho viu o adversário buscar a igualdade em uma sequência de lances que terminou com o árbitro paranaense Kleber Ariel Gonçalves Silva cercado por jogadores revoltados e protegido pela tropa de choque. Horas depois, o clube publicou uma nota oficial dura, chamando a arbitragem de "vergonhosa" e afirmando que não vai mais aceitar calado o que considera um prejuízo recorrente na competição.

Falta no início da jogada, 11 minutos de acréscimo e pênalti no fim

A reclamação do Juventude começa lá atrás, na origem do primeiro gol do Ceará, quando o clube sustenta que houve falta clara sobre Raí Silva no meio-campo, sem qualquer revisão do VAR sobre o lance. A partida seguiu equilibrada até o segundo tempo, quando a arbitragem assinalou 11 minutos de acréscimo — tempo considerado desproporcional pelo Juventude diante do desenrolar do jogo, já que não houve pausa para hidratação na etapa final e apenas cinco substituições somadas entre as duas equipes.

Foi justamente nesse período extra que veio o lance mais contestado: um pênalti a favor do Ceará em disputa na qual Rodrigo Sam recolhe o corpo, inicialmente interpretado como lance normal pelo árbitro, que estava bem posicionado. Chamado ao monitor pelo VAR, ele voltou atrás e marcou a penalidade a partir de imagens que o próprio clube classifica como "sem resolução minimamente adequada" para sustentar a decisão.

Gabriel Pires: "Estragou o espetáculo"

Autor do segundo gol do Juventude na partida, o meia Gabriel Pires foi um dos primeiros a desabafar após o apito final, em entrevista à ESPN. Para ele, a falta de clareza nas imagens usadas pelo VAR contradiz a própria justificativa dada pelo árbitro em campo.

"É difícil, um ano de trabalho que pode estar influenciando. Dentro de campo ele (o árbitro) falou: 'a minha visão foi clara'. E aí vai pro VAR e lá mesmo a imagem não diz, o que diz é o campo." — Gabriel Pires
"Não é possível 11 minutos de acréscimos. Vamos ter bom senso e colocar a cabecinha no lugar. A vontade é de estar falando coisa bem pior. Estragou o espetáculo. Jogo de Série B, mas com nível alto, disputado, e tinha tudo pra ser bonito. Não é pra favorecer a gente, mas não precisava ter estragado." — Gabriel Pires

Barbieri cobra critério da CBF e lembra orçamento enxuto

Mais de uma hora depois do apito final, o técnico Maurício Barbieri apareceu para a entrevista coletiva já com a reclamação pronta. Antes de falar da arbitragem, fez questão de valorizar a campanha do time, que o coloca momentaneamente na segunda colocação da Série B mesmo sem ter, segundo ele, o orçamento dos principais concorrentes.

"Todos nós do clube estamos orgulhosos pelo que os jogadores vêm fazendo. Se olharmos o Campeonato Brasileiro da Série A, os dois clubes de maior orçamento, Flamengo e Palmeiras, estão na frente. O Juventude não tem o melhor orçamento da Série B e já deveria ter 70 pontos. Mostra o tamanho da grandeza do que estamos conseguindo fazer e o quanto nós estamos sendo prejudicados." — Maurício Barbieri

O treinador então foi direto ao ponto sobre o tempo de acréscimo e os lances que antecederam o pênalti.

"Peço encarecidamente que alguém da CBF me responda, por favor, qual é o critério pra darem 11 minutos de acréscimo? Lembrando que no segundo tempo não houve parada para hidratação, o Ceará fez apenas duas paradas para fazer trocas, nós três. A própria CBF alterou as orientações para tornar o tempo de bola rolando maior. Se isso tudo foi respeitado, qual a justificativa?" — Maurício Barbieri
"No primeiro gol do Ceará, houve falta no Raí Silva. No segundo gol, antes do pênalti, o Saulo Mineiro atinge a perna do Gabriel Pinheiro com a sola, e por que não dar a falta e deixar seguir? E no lance do pênalti, o Sam está próximo do lance e gira o corpo, sem tempo de reagir. E a imagem é inconclusiva. Uma sequência de erros absurda." — Maurício Barbieri

Presidente fala em "indignação total no vestiário"

Quem também não poupou críticas foi o presidente Fábio Pizzamiglio, que relembrou episódios recentes de prejuízo e afirmou já ter cobrado a CBF diretamente após a partida.

"Não precisa nem falar nada. A falta no Raí no primeiro gol todo mundo viu. Engraçado que o VAR não volta para olhar. Ninguém entendeu 11 minutos de acréscimos. Não teve hidratação no segundo tempo. No primeiro tempo, teve, e ele deu sete minutos. A justificativa da quarta árbitra é que o VAR pediu, mas a determinação não é do VAR." — Fábio Pizzamiglio
"Antes do lance do suposto pênalti, que não dá pra ver nada, tivemos duas faltas a nosso favor que não foram dadas. O juiz põe o apito na boca para marcar a falta ou terminar o jogo e deixa seguir. Daí, vai até acharem um pênalti. Há uma indignação total no nosso vestiário." — Fábio Pizzamiglio
"Vamos ganhar esses quatro jogos e passar por cima de tudo isso. Acabei de mandar uma mensagem para a vice-presidência da CBF pedindo providências mais uma vez. Quantos pontos perdemos assim? Estamos cansados de reclamar, porque não adianta nada. É o quinto ou sexto jogo seguido que fomos roubados. É indignante." — Fábio Pizzamiglio

O executivo Lucas Andrino também se manifestou, em tom ainda mais duro, questionando se os erros recorrentes seriam mesmo apenas falhas técnicas.

"Eu estou assustado. Eu nunca vi um time ser prejudicado dessa forma, principalmente numa reta final como tem acontecido com o Juventude. Não adianta chamarem uma reunião e pedir desculpa. Não é de desculpa que vive o futebol. É uma incompetência sem tamanho o que aconteceu aqui. Torcer que seja incompetência e não seja outra coisa. A CBF tem que se manifestar e explicar o que está acontecendo com o Juventude." — Lucas Andrino

A lista de erros que o clube levou à CBF

Na nota oficial, o Juventude foi além do jogo com o Ceará e enumerou uma sequência de decisões que considera equivocadas ao longo do returno da Série B, pedindo inclusive que a Federação Gaúcha de Futebol intervenha junto à entidade nacional.

Contra o Londrina

Impedimento questionável

Gol de Fábio Lima anulado por marcação de impedimento considerada inconclusiva, a partir de linha traçada com câmera de linha de fundo.

Contra o Athletic

VAR omisso

Kardec foi agarrado dentro da área por metros, em lance fora da disputa da bola, sem qualquer intervenção do VAR.

Contra o Sport

Impedimento questionável

Gol anulado por impedimento em lance no qual, segundo o clube, foi o próprio defensor quem afastou a bola.

Contra o Atlético-GO

Pênalti não marcado

Falta sobre Aderlan dentro da área não assinalada pelo árbitro e sequer revisada pelo VAR.

Contra o São Bernardo

Pênalti não marcado

Penalidade em Alisson Safira não marcada e não revisada pelo VAR. A própria CBF reconheceu o erro em reunião posterior com o clube.

Contra o Fortaleza

Disparidade de critério

Bola bateu no braço de defensor adversário, em lance nítido em várias câmeras, sem marcação de pênalti.

A posição do Juventude: o clube afirma que "não se trata de uma interpretação isolada" e cobra da CBF critérios uniformes para todas as equipes, além de uso efetivo da tecnologia do VAR nas rodadas finais da competição.

O que vem agora

O Juventude retorna a Caxias do Sul neste domingo (18) e só volta a campo no dia 26 de outubro, quando recebe o Náutico pela Série B. Com o empate, o time gaúcho segue na briga direta pelo acesso à Série A, ocupando, segundo o próprio técnico Maurício Barbieri, a segunda colocação da tabela de forma momentânea. O clube afirma que já notificou a CBF cobrando explicações e espera que a Federação Gaúcha de Futebol também se manifeste junto à entidade nacional diante da gravidade dos episódios relatados.

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