Inter vai à CBF cobrar arbitragem neutra e blindar decisão contra o Corinthians
Inter vai à CBF cobrar arbitragem "neutra" e blindar decisão contra o Corinthians
Depois de o Timão sair reclamando do Beira-Rio, o Colorado devolveu o troco em forma de ofício — e o clima para a volta em Itaquera, quinta-feira, já nasceu pesado.
Tem discussão que começa antes da bola rolar e outras que só nascem depois do apito final — essa foi das que cresceram no vestiário, ganharam nota oficial e agora atravessam a semana inteira até o duelo decisivo. O Internacional venceu o Corinthians por 2 a 0, no domingo (2), no Beira-Rio, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, com gols de Matheus Bahia e Alan Patrick. O resultado deveria fechar o capítulo. Só que o Timão, inconformado com a arbitragem de Alex Gomes Stefano, decidiu reclamar publicamente, protocolar pedido de áudio na CBF e cobrar explicações — e o Inter, temendo que a pressão corintiana intimide o árbitro da volta, respondeu com nota oficial nesta segunda-feira (3), exigindo observadores da entidade para o jogo de quinta-feira (6), em Itaquera.
Como a bola de neve começou
A confusão nasceu ainda dentro de campo, no segundo tempo. Depois de um primeiro tempo travado, o Inter cresceu na etapa final: aos 15 minutos, Matheus Bahia aproveitou rebote de escanteio e bateu cruzado para abrir o placar; seis minutos depois, Bruno Gomes foi derrubado na área e Alan Patrick converteu a cobrança de pênalti, fechando o 2 a 0. Só que o Corinthians não aceitou o resultado sem reclamar — e a insatisfação começou a subir de tom ainda na zona mista.
Os jogadores corintianos apontaram um suposto pênalti não marcado em Matheus Bidu e reclamaram do que classificaram como postura intimidadora do árbitro carioca. O goleiro Hugo Souza teria trocado farpas com um membro da comissão técnica logo após o apito final, episódio que circulou nas redes por leitura labial. Já na súmula da partida, o próprio Stefano relatou ter sido alvo de ofensas de três pessoas ligadas ao Corinthians durante o trajeto até o vestiário.
Marcelo Paz detona e promete representação
Quem deu corpo à reclamação foi o diretor executivo de futebol do Corinthians, Marcelo Paz. Na entrevista coletiva no Beira-Rio, ele questionou o tempo de bola rolando, o número de cartões e cobrou explicações sobre a escalação do árbitro para um jogo decisivo.
"Foram sete cartões amarelos para o Corinthians e um pênalti absurdamente não marcado em cima do Bidu. É incontestável. Causa estranheza nem o árbitro de campo marcar, nem o VAR chamar. Foi uma arbitragem complicada." — Marcelo Paz, diretor executivo de futebol do Corinthians
Paz foi além e insinuou que o histórico recente de Stefano deveria ter pesado na escalação para o confronto, citando uma atuação já questionada do árbitro em outro jogo na semana anterior. Nas redes sociais, o clube paulista também reforçou o discurso, e a diretoria enviou ofício formal à CBF pedindo a liberação do áudio da comunicação do árbitro durante a partida.
A resposta do Colorado
Do lado gaúcho, quem primeiro rebateu foi o capitão Alan Patrick, ainda na zona mista do Beira-Rio, insinuando que o movimento corintiano poderia ser uma tentativa de pressionar o árbitro do jogo de volta.
"Talvez a diretoria possa perceber este movimento e também agir nos bastidores para que não tenha nenhuma interferência por parte do Corinthians querendo fazer pressão no jogo da volta. Esperamos que possa ser uma arbitragem neutra e justa." — Alan Patrick, capitão do Internacional
Um dia depois, o clube formalizou a posição em nota oficial. O texto reforça que a diretoria colorada vem "atuando de forma permanente" na defesa dos interesses do Inter desde a noite da vitória, e que considera pertinente o acompanhamento institucional da CBF durante o jogo de volta — pedido que soma pressão simbólica ao mesmo tempo em que se apresenta como zelo pela lisura da competição.
"O Sport Club Internacional reafirma que a classificação à próxima fase deve ser definida única e exclusivamente pelo desempenho das equipes dentro de campo. O Clube não aceitará qualquer tentativa de condicionamento externo." — Nota oficial do Internacional
O que está em jogo na quinta-feira
Além da rivalidade histórica reacesa após nove anos sem confronto na Copa do Brasil, a vantagem construída no Beira-Rio deixa a missão corintiana difícil. Para avançar direto às quartas de final sem depender dos pênaltis, o Timão precisa vencer por três gols de diferença; uma vitória por dois gols empurra a decisão para as cobranças; qualquer resultado menos elástico garante classificação ao Colorado.
Missão simples
Uma vitória, um empate ou até uma derrota por um gol de diferença classificam o Colorado às quartas de final.
Missão difícil
Precisa vencer por três gols para avançar direto, ou por dois para levar a vaga aos pênaltis em Itaquera.
A discussão sobre a arbitragem não muda o placar do Beira-Rio, mas já mudou o clima da semana. Com a CBF pressionada dos dois lados — pela reclamação corintiana e pelo pedido colorado de acompanhamento institucional —, o duelo de quinta em Itaquera carrega agora um peso que vai além da vaga nas quartas: é também um teste de quem vai ditar o tom da arbitragem brasileira em decisões de mata-mata. Dentro de campo, o Inter sabe que uma vitória, um empate ou até uma derrota discreta bastam para seguir vivo na competição — o resto, promete o clube, ele vai resolver fora dele.