Antes de Salvador, o Inter tem só uma tarefa: zerar o que deve a quem veste a camisa
Antes de Salvador, o Inter tem só uma tarefa: zerar o que deve a quem veste a camisa
Mês e meio de salários em aberto e um 13º de 2025 nunca quitado por completo colocam a diretoria colorada numa corrida contra o calendário antes do confronto com o Bahia
Existe um tipo de urgência que não cabe em prancheta nem em escalação. É a urgência do boleto, do extrato bancário, do compromisso simples entre quem contrata e quem trabalha. O Internacional chega à reta final de agosto de 2026 com essa urgência batendo à porta: antes de discutir sistema tático, reforço ou tabela, o clube precisa provar que sabe pagar quem joga por ele. Não é detalhe de bastidor. É a condição mínima para que o resto sequer comece a fazer sentido.
Um atraso que não é só atraso
Falar em salário em dia soa básico, quase óbvio demais para virar manchete. Mas o futebol brasileiro tem um histórico didático sobre o assunto: clube que atrasa pagamento raramente atravessa a temporada ileso. A exceção que sempre é citada, a de um Grêmio rebaixado em 2021 com as contas em ordem, prova exatamente o contrário do que parece — confirma a regra em vez de desmenti-la. No caso colorado, o problema não nasceu agora. Além do mês e meio mais recente em aberto, arrasta-se um resíduo do 13º salário do ano passado, um acordo que ficou pela metade e que, aos poucos, foi corroendo a paciência do grupo.
Dinheiro que entra, dinheiro que preocupa
O argumento da ausência de patrocinador máster é real e pesa no caixa. Ninguém nega que o cenário econômico do clube mudou sem essa receita fixa. Mas esse argumento explica o atraso do salário do mês — não explica por que um compromisso do ano passado, o 13º, segue sem solução plena. Enquanto isso, o noticiário colorado também fala em dinheiro girando: a saída de Borré e o investimento para trazer Sanabria mostram que recursos entram e saem do departamento de futebol. A pergunta que fica no ar, e que ecoa no vestiário, é de prioridade: por que o que já foi prometido continua em aberto enquanto outras movimentações acontecem?
Um grupo pode ter garra de sobra em campo, mas ninguém joga com a cabeça tranquila sabendo que o que foi combinado não foi cumprido. Isso não é questão de valor salarial, é questão de palavra dada.
Análise futebolrs.com.br
O prazo que realmente importa
Não é uma meta de longo prazo. É uma meta de horas. A diretoria colorada, comandada por Alessandro Barcellos, tem pela frente uma tarefa objetiva: liquidar pelo menos a pendência do 13º salário antes de o elenco embarcar para Salvador, onde o Inter enfrenta o Bahia. Depois disso, o passo seguinte é regularizar os salários atrasados e manter o pagamento em dia até dezembro. Simples de descrever, difícil de executar — mas inegociável se o clube quiser blindar o ambiente interno na reta final da temporada.
O esforço dentro de campo nunca foi o problema. A entrega física, a disposição, a garra do grupo seguem visíveis em cada partida. O que está em jogo é outra coisa: a relação básica entre quem emprega e quem é empregado. Resolver isso não é gesto de bondade da diretoria — é obrigação. E, para um clube que ainda sonha grande na temporada, é também uma questão de sobrevivência competitiva.
Salários em dia não vencem partidas sozinhos, mas sua ausência já derrubou times mais fortes do que este Inter. Antes de qualquer ajuste tático para Salvador, a diretoria colorada tem uma conta simples para fechar — e o relógio já está correndo.