Inter mira retorno de Alan Patrick e Anthoni para encarar o Botafogo em jogo de sobrevivência
Faltam quatro dias para o Beira-Rio se transformar, de novo, no último abrigo do Inter na Série A. No sábado (24), às 16h30, o Colorado recebe o Botafogo pela 32ª rodada do Brasileirão precisando vencer sem desculpa nem margem para erro, enquanto o técnico Eduardo Baptista tenta reconstruir a equipe com as prováveis voltas de Alan Patrick e Anthoni e ainda decide, ao longo da semana, quem fica com a braçadeira da meta: o experiente Anthoni, recém-recuperado de um quadro inflamatório, ou o garoto Kauan Jesus, que surpreendeu na derrota para o Mirassol.
Um jogo que vale a temporada
O momento não permite meio-termo. O Inter ocupa a 17ª posição do Brasileirão, primeiro time dentro da zona de rebaixamento, com 32 pontos em 31 jogos — sete vitórias, 11 empates e 13 derrotas, com 33 gols marcados e 40 sofridos. O time chega para o duelo embalado pela má fase: perdeu por 2 a 0 para o Mirassol, fora de casa, no dia 16, resultado que custou caro tanto na tabela quanto no vestiário.
O duelo contra o Botafogo abre uma sequência de quatro jogos seguidos como mandante até o fim do campeonato — e, segundo os cálculos que rondam o Beira-Rio, o Inter precisa vencer todos para ter uma margem segura de permanência na elite. O histórico recente, porém, não ajuda: como mandante nesta edição do Brasileirão, o time soma apenas quatro vitórias, cinco empates e seis derrotas em 15 jogos, campanha que só supera Chapecoense e Remo entre os 20 clubes da Série A.
O contraste incomoda ainda mais porque o Beira-Rio sempre foi um fiador de pontos para o clube. Desde 2003, o Inter disputou 443 jogos em casa pelo Brasileirão, com 252 vitórias, 109 empates e 82 derrotas — 865 pontos conquistados diante da própria torcida, em campanhas que historicamente passavam dos 65% de aproveitamento. A melhor delas foi em 2018, com 80%; a pior, em 2013, com 49%. Mesmo em 2024, quando a enchente obrigou o clube a mandar jogos em Criciúma e Florianópolis, o aproveitamento em casa ficou em 67%. A curiosidade é que, se vencer os quatro jogos finais como mandante, o Inter deve fechar o campeonato com pouco mais de 50% de aproveitamento geral em casa — número que, pelas contas do clube, já seria suficiente para escapar da queda.
Ciente da importância do fator Beira-Rio, a diretoria ampliou a campanha de ingressos para o confronto com o Botafogo. Além de manter a gratuidade para sócios — política adotada desde a vitória sobre o Corinthians, no início do mês —, os preços para não sócios caíram de R$ 45 para R$ 25 na arquibancada inferior e de R$ 90 para R$ 50 na superior. Adolescentes de 12 a 17 anos pagam R$ 12,50 e R$ 25, nos mesmos setores.
"Precisamos da torcida. Sei que todos saíram com o mesmo sentimento nosso, de que as coisas vão dar certo para o Inter."
— Eduardo Baptista, técnico do Inter
O quebra-cabeça de Eduardo Baptista
A lista de desfalques do Inter é extensa. Por suspensão, o time não contará com o goleiro Matheus Cunha, expulso contra o Mirassol, além de Gabriel Mercado, Rodrigo Villagra e Vitinho, todos pendurados após cartões amarelos na mesma partida. No departamento médico, a novidade positiva é a possível volta de Alan Patrick, que trata uma lesão muscular na coxa esquerda — desde que o camisa 10 tenha uma semana cheia de treinos e esteja 100% fisicamente, já que o clube não pretende arriscar o meia antes da hora.
Na zaga, o cenário é mais delicado. O chileno Guillermo Maripán segue em fase de retreinamento após lesão na coxa direita e é dúvida. A alternativa de escalar Félix Torres é vista como arriscada: o equatoriano vem falhando com frequência e, depois do episódio em que voltou trotando após um gol sofrido com o time em desvantagem numérica contra o Mirassol, não é visto como opção segura para o ambiente do Beira-Rio. A tendência é Eduardo Baptista improvisar Bruno Gomes na zaga, com Aguirre na lateral direita e Victor Gabriel completando o setor.
Fora por cartões
Matheus Cunha (expulso), Gabriel Mercado, Rodrigo Villagra e Vitinho (amarelos), todos pendurados na derrota para o Mirassol.
Lesionados e em dúvida
Guillermo Maripán (coxa direita), Sergio Rochet (lombar), Antonio Sanabria (panturrilha esquerda), Kayky (pós-cirurgia no tornozelo) e Allex (coxa esquerda).
Alan Patrick
Trata lesão muscular na coxa esquerda. Pode ser titular se encerrar a semana de treinos em condições plenas.
Anthoni
Recuperado do quadro inflamatório que o tirou da última rodada, aparece como favorito para reassumir a meta.
A disputa pelo gol
Com Matheus Cunha suspenso, a briga pela titularidade da meta colorada fica entre Anthoni, que se recupera de uma inflamação e tende a voltar ao time, e Kauan Jesus, de 23 anos, revelado pela base do clube. Na derrota para o Mirassol, Kauan Jesus fez boas defesas e passou segurança ao restante da equipe, atuação que rendeu defesas de peso nos bastidores do clube para que ele comece diante do Botafogo, mesmo com pouca experiência no profissional.
O adversário: Botafogo em situação estável
Do outro lado, o Botafogo chega ao Beira-Rio em momento bem diferente. O time carioca ocupa a 11ª colocação, com 39 pontos em 31 jogos — dez vitórias, nove empates e 12 derrotas, 44 gols marcados e 48 sofridos —, posição que hoje garantiria vaga na fase de grupos da Copa Sul-Americana de 2027. O Botafogo vem de vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense, em casa, no dia 17, e viaja a Porto Alegre sem a pressão direta da tabela que cerca o Inter.
O que está em jogo
Para o Inter, o confronto de sábado é o primeiro teste de uma sequência decisiva: quatro jogos em casa que podem definir se o clube segue na Série A em 2027. Entre o retorno de nomes importantes, a disputa pela meta e a reconstrução emergencial da zaga, Eduardo Baptista monta o time com as peças que sobraram — e sabe que, a partir de sábado, não há mais espaço para o time tropeçar diante da própria torcida.