Gre-Nal sonolento termina sem gols e empurra decisão da vaga às semis para a Arena
Um Grenal de garra e trava: 0 a 0 no Beira-Rio e a decisão vai para a Arena
Em noite abafada de inverno, Inter e Grêmio se anularam durante 90 minutos e deixaram tudo em aberto para o segundo jogo
O Beira-Rio fervia. Quarenta e três mil torcedores, uma noite de inverno abafada como poucas e o peso de uma vaga nas semifinais da Copa do Brasil sobre o gramado. Tudo estava posto para um espetáculo. E o Grenal 453 entregou — mas não em futebol. Entregou raça, entregou disputa, entregou a tensão invisível que só um clássico consegue produzir mesmo quando as redes não balançam. O 0 a 0 desta quinta-feira (27) foi fiel aos dois times que estão na 15ª e na 16ª colocações do Brasileirão: acanhados para atacar, organizados para não perder. A decisão fica para daqui a uma semana, na Arena, onde o Grêmio joga em casa.
Surpresas nas escalações e polêmica antes do apito
O roteiro já começou diferente horas antes da bola rolar. O Inter quebrou a tradição de concentração pré-jogo. Com dois meses de direitos de imagem atrasados, os jogadores decidiram coletivamente não se reunir na véspera. Chegaram ao hotel só no almoço desta quinta, cerca de seis horas antes do clássico. A decisão não foi unânime — o capitão Alan Patrick era favorável à concentração e defendeu que as questões financeiras e as esportivas não deveriam se misturar. O volante perdeu a disputa interna e acabou indo ao banco de qualquer forma, mas por escolha técnica: Pezzolano também deixou Bruno Henrique entre os suplentes.
As duas surpresas mais impactantes da noite foram coloradas. Com Sanabria ainda sem condições ideais no banco, Pezzolano apostou em Vitinho como centroavante e Calebe atuando como ala pela direita. Do outro lado, Luís Castro também mexeu no Grêmio: Jovane Cabral ganhou a vaga de Amuzu no ataque, enquanto Kannemann começou entre os titulares no lugar de Gustavo Martins, ainda em processo de recuperação de lesão.
Primeiro tempo: estudo, trocação e zero de emoção
O Inter começou a partida com um desenho claro: Calebe pela direita, Matheus Bahia na esquerda como lateral, a zaga com Bruno Gomes, Mercado e Maripán, e Villagra e Paulinho na contenção. O Grêmio respondeu com uma linha de cinco defensores — Caito, Wallace, Kannemann e Marlon na zaga, com Noriega saindo entre eles para a distribuição. Pavon e Jovane Cabral eram as referências ofensivas.
O resultado dessa mistura de sistemas cautelosos foi exatamente o esperado: os times se estudaram, trocaram passes sem risco, evitaram espaços e chegaram ao intervalo sem uma chance clara sequer. O Grêmio teve leve superioridade na posse, mas sem profundidade. O Inter tentou explorar os corredores, mas encontrou a linha defensiva tricolor bem postada.
Segundo tempo: mais volume colorado, mas sem desfecho
O Inter voltou com mais volume e algum ímpeto no segundo tempo. Carbonero e Bernabei tentaram criar pelos lados, e o time colorado produziu as melhores chegadas da partida. O goleiro Weverton fez boa defesa em cabeceio de Vitinho — mas o assistente anulou por impedimento do atacante. Do lado gremista, Krovinovic chegou a finalizar com perigo, obrigando Matheus Cunha a uma boa defesa. Foi a grande intervenção do goleiro colorado na noite.
No cômputo geral, foram 26 finalizações no total entre os dois times — número que soa grande mas que esconde a pobreza das conclusões: apenas três chegadas do Inter no alvo gremista, e duas defesas exigidas de Matheus Cunha. Com a marcação intensa, as disputas físicas e a falta de criatividade acima da média, o 0 a 0 sempre pareceu o placar mais provável. E foi o que aconteceu.
Destaques individuais
7A grande atuação individual da noite pelo lado colorado. Sem erros, venceu todos os duelos contra os atacantes gremistas — inclusive nas trombadas com Carlos Vinícius — e foi o pilar da defesa colorada.
7Não sentiu o peso de jogar no Beira-Rio. Seguro, com liberdade para sair da área e marcar de perto. Uma das atuações mais tranquilas da noite pelos dois lados.
6Boa estreia em Gre-Nal. Soube ser o coadjuvante para Mercado brilhar mais e saiu bem nos duelos aéreos contra os atacantes gremistas.
6,5Um dos melhores estreantes do Grêmio no clássico. Marcou, atacou e mostrou naturalidade para se apresentar à pressão de um Gre-Nal. Começo de história positivo.
6,5Fez a defesa da noite no segundo tempo, negando o chute de Krovinovic. Passou o primeiro tempo quase sem trabalho, mas quando precisou apareceu.
5,5Acabou exposto pela estratégia de Pezzolano. Teve dificuldades para marcar a dobradinha entre Pavon e Diego Caito na sua faixa durante o primeiro tempo.
A palavra dos jogadores
"Jogando em casa, é claro que a gente fica chateado. Criamos bastante. Tivemos volume no segundo tempo. É um jogo difícil. É clássico. A disputa está aberta. Agora é focar na volta, fazer um excelente jogo lá e buscar a classificação." — Bruno Henrique, volante do Internacional
"Eles vieram com uma proposta de jogar no contra-ataque. Em casa, eles vão ter de sair mais para o jogo. Temos essa força também de explorar os contra-ataques. Vamos procurar fazer isso." — Bruno Henrique, sobre a estratégia para a volta
"Está em aberto. A gente sabe que vai ser difícil de novo, mas vamos tentar fazer um jogo perfeito para conquistar a vitória na Arena e ficar com a vaga." — Bruno Henrique, projetando o segundo Grenal
"Faremos de tudo para fazer o nosso fator casa valer a pena. Faltou um pouquinho mais de paciência. Agora é descansar, virar a chave para o jogo contra a Chapecoense." — Marlon, lateral-esquerdo do Grêmio
O que vem pela frente
Antes do segundo Grenal, os dois times têm compromisso urgente no Brasileirão. O Inter viaja a Salvador no domingo para enfrentar o Bahia, enquanto o Grêmio recebe a Chapecoense na Arena. Ambos estão perto da zona de rebaixamento — Grêmio na 15ª, Inter na 16ª colocação — e uma derrota pode complicar ainda mais a situação na tabela.
A volta do Grenal está marcada para quinta-feira, 3 de setembro, às 20h, na Arena. Quem vencer avança diretamente às semifinais. Novo empate leva a disputa aos pênaltis. A vaga em jogo, além do prestígio máximo do clássico, vale cerca de R$ 9 milhões em premiação.
📋 Ficha Técnica — Gre-Nal 453
Internacional
- Matheus Cunha
- Bruno Gomes, Maripán, Gabriel Mercado e Matheus Bahia
- Villagra, Paulinho
- Calebe, Bernabei, Carbonero
- Vitinho (centroavante)
- Técnico: Paulo Pezzolano
- Banco: Alan Patrick, Bruno Henrique, Sanabria, Eliasson...
Grêmio
- Weverton
- Diego Caito, Wallace, Kannemann e Marlon
- Noriega
- Pavon, Krovinovic (e outros)
- Jovane Cabral
- Técnico: Luís Castro
- Banco: Gustavo Martins, Amuzu...