Sem gols e sem sobras: o Gre-Nal das quartas foi mais sobre entrevero do que sobre futebol
Sem gols e sem sobras: o Gre-Nal das quartas foi mais sobre entrevero do que sobre futebol
Levantamento comparativo entre os clássicos estaduais da ida das quartas mostra Beira-Rio com mais faltas e menos bola rolando do que o Mineirão e o Allianz Parque
Houve clássico no Beira-Rio, mas pouco futebol sobrou dele. O jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil entre Inter e Grêmio terminou 0 a 0, um placar que, sozinho, já sugere o tom da noite: mais disputa de espaços e reclamação à arbitragem do que troca de passes e finalizações certeiras. Os números confirmam a sensação de quem acompanhou a partida — e, colocados lado a lado com os de Cruzeiro x Atlético-MG e Palmeiras x Santos, revelam que o duelo gaúcho foi, de fato, o mais truncado entre os clássicos estaduais da rodada.
Bola parada em vez de bola rolando
A Fifa recomenda que uma partida tenha, no mínimo, 60 minutos efetivos de bola em movimento. O Gre-Nal ficou bem abaixo disso: apenas 55 minutos e 45 segundos de tempo corrido, uma fração pequena diante dos 90 minutos regulamentares. O clássico mineiro, entre Cruzeiro e Atlético-MG, teve número quase idêntico — 55 minutos e 24 segundos —, o que reforça que a interrupção constante do jogo não foi exclusividade gaúcha, mas um sintoma que se espalhou pelos confrontos regionais da fase.
O clássico mais faltoso da rodada
Enquanto Inter e Grêmio protagonizaram um jogo de 43 infrações, o duelo entre Cruzeiro e Atlético-MG teve 34, e Palmeiras x Santos, apenas 26 — o confronto paulista, aliás, foi o único a fugir do padrão de embate físico, muito em função do domínio amplo construído pelo Palmeiras em campo. Todos os quatro clubes envolvidos nos clássicos mineiro e gaúcho receberam dois cartões amarelos cada, à exceção do Cruzeiro, advertido uma única vez.
Esperava um Gre-Nal pior tecnicamente, com mais brigas e tudo um pouquinho pior. Não foi ruim como eu imaginava, mas o suficiente para incomodar todo mundo que gosta de futebol. Foi um jogo ruim, de pouca chance e de briga, principalmente no final do primeiro tempo.
Sérgio Xavier — comentarista do SporTV
Finalizações: volume sem eficiência
Em chutes ao gol, o Gre-Nal também ficou longe da precisão vista em Palmeiras x Santos. Foram 26 finalizações no Beira-Rio, mas apenas cinco delas levaram perigo real à meta adversária. No Mineirão, Cruzeiro e Atlético-MG somaram 22 chutes, com quatro no alvo. Já no Allianz Parque, o Palmeiras concentrou o protagonismo: de 27 finalizações totais da partida, o time alviverde foi responsável por 20, sendo oito no gol — reflexo direto da goleada por 3 a 0 sobre o Santos, resultado que praticamente definiu a vaga na próxima fase.
O Gre-Nal não foi tão pior do que outros jogos dessa Copa do Brasil, que a gente viu principalmente na fase anterior. Mas, em comparação com os outros clássicos das quartas de final, foi o pior com muitas sobras.
Sérgio Xavier — comentarista do SporTV
⚽ Ficha Técnica
| Competição | Copa do Brasil — Quartas de final, jogo de ida |
| Local | Estádio Beira-Rio — Porto Alegre, RS |
| Tempo de bola rolando | 55min45s |
| Faltas cometidas | 43 ao total |
| Finalizações | 26 chutes, 5 no gol |
Com a decisão adiada para o jogo de volta, Inter e Grêmio terão a chance de reescrever a narrativa estatística do confronto. Mas, pelo que mostrou o primeiro capítulo, o Gre-Nal das quartas entrou para a Copa do Brasil menos pelo que produziu em campo e mais pelo que evitou produzir: um jogo aberto, fluido e decidido pela bola — não pela disputa de cada centímetro dela.