Gauchão 2027 define neste sábado as duas últimas vagas na Divisão de Acesso
Tem tarde que separa só um time de uma vaga, e tem sábado que separa quatro times de um sonho só. É isso que o futebol gaúcho vive neste 24 de outubro: duas cidades, dois estádios, duas decisões, um único prêmio ao final do dia — a última carteirinha pra disputar o Gauchão 2027. Em Passo Fundo, o Tricolor do Planalto recebe a Apafut às 16h no Vermelhão da Serra. Em Pelotas, quatro horas depois, Brasil de Pelotas e União Frederiquense se encontram no Bento Freitas, às 20h. Nos dois casos, a ida terminou 1 a 1 e a regra é simples: quem vencer garante o acesso; se o empate se repetir, a vaga sai nos pênaltis.
Dois duelos, uma só régua
A Divisão de Acesso chega às semifinais com um desenho raro: nenhum dos dois confrontos teve vencedor na ida, o que transforma os jogos de volta em verdadeiras finais antecipadas. Vencer nos 90 minutos resolve tudo. Empatar significa estender a decisão para as cobranças de pênalti. Perder, simplesmente, fecha o ano.
Passo Fundo mira o fim de um jejum de quase duas décadas
Favorito pelo fator casa e pela melhor campanha geral da Divisão de Acesso, o Passo Fundo chega embalado por uma temporada de números expressivos: 10 vitórias, sete empates e apenas uma derrota, além do melhor ataque da competição, com 26 gols marcados. Se confirmar o favoritismo, o time comandado por Márcio Nunes devolve a cidade ao Gauchão depois de quase vinte anos — a equipe não disputa a elite estadual desde 2007.
No jogo de ida, em Bento Gonçalves, o próprio Passo Fundo abriu o placar com Patrickão, artilheiro da Divisão de Acesso com nove gols, cobrando pênalti. A Apafut buscou o empate ainda no primeiro tempo, com gol construído em troca de passes.
Fora de campo, o clube tratou a semana como uma mobilização quase política: atletas e diretoria passaram pelo Passo Fundo Shopping no domingo seguinte à ida, e jogadores visitaram escolas do município distribuindo ingressos e reforçando o convite para a decisão. O elenco se reapresentou na segunda-feira e fez os últimos ajustes na manhã de sexta, já em clima de concentração.
"Vai ser um jogo muito difícil. Sabemos da qualidade da Apafut, mas contamos com o incentivo da torcida, que vai ser de grande valia para que a gente possa buscar a tão sonhada classificação." — Talles, lateral do Passo Fundo
"Tem sido uma preparação muito boa. Usamos a semana para ajustes, tem sido muito produtivo. A gente sabe que poderia ter saído com a vitória no primeiro jogo, mas o resultado foi justo. Agora é estar focado para buscar o resultado." — Carlos Alexandre, zagueiro do Passo Fundo
"O torcedor é muito importante. A energia positiva que vem da arquibancada influencia muito. Costumo dizer que eles são nosso 12º jogador. Contamos com o calor da arquibancada para buscar a vaga no Gauchão do ano que vem." — Carlos Alexandre
Mesmo com o retrospecto favorável, existe um fantasma recente rondando o Vermelhão da Serra: nos últimos cinco anos, a equipe que termina a primeira fase da Divisão de Acesso como melhor campanha não conseguiu transformar isso em acesso. Romper essa estatística é, também, parte da missão de Márcio Nunes.
Apafut quer o acesso inédito com Clébio reinventado em campo
Do outro lado, a Apafut é a sensação da temporada. Quinta colocada na primeira fase, a equipe de Caxias do Sul eliminou o tradicional Santa Cruz nas quartas de final com duas vitórias e agora sonha com um acesso que nunca teve na sua história. O comando é do técnico Lucas Zanella, jovem e também em busca do primeiro acesso da carreira.
Uma das histórias da campanha é a de Clébio, zagueiro de origem que passou a atuar como volante e descobriu faro de artilheiro: são três gols e uma assistência na Divisão de Acesso, incluindo o gol de empate contra o próprio Passo Fundo na ida. Aos 22 anos, natural de Uberaba (MG), Clébio foi formado nas categorias de base do Juventude e já defendeu Brasil-Far e Brasil-Pel antes de chegar à Apafut.
"A gente sempre espera fazer gols, mas até estou me surpreendendo, porque não era muito da minha função. Como volante, eu pego mais na bola e gosto disso, gosto de jogar mais com ela no pé. Acho que, dessa forma, também tenho mais oportunidades de chegar na frente e fazer gols. E fazer gol é sempre bom, né?" — Clébio, volante da Apafut
"A gente vai para ganhar nos 90 minutos. Sabemos da nossa capacidade. Por mais que não exista aquela pressão de torcida ou de ser um clube centenário, como acontece com vários outros, a nossa pressão interna é muito grande. Nós sabemos do nosso potencial e da qualidade de cada um." — Clébio
"Sabemos que vai ser uma partida fora de casa, que a torcida deles vai tentar nos desestabilizar, fazer com que a gente perca a cabeça e entre na pressão. Então, precisamos ter inteligência. Nós confiamos muito no nosso trabalho e vamos para lá jogar o nosso jogo." — Clébio
Em Pelotas, o Bento Freitas recebe a decisão do investimento
Enquanto Passo Fundo e Apafut jogam no Planalto, a Zona Sul do Estado vive sua própria final antecipada. O Brasil de Pelotas, que caiu do Gauchão há um ano, apostou na maior folha salarial da Divisão de Acesso para tentar o retorno imediato à elite, e agora depende de uma vitória simples diante do seu torcedor para confirmar o investimento. O comando técnico é de Julio Cesar Nunes, que também busca o primeiro acesso da carreira.
No jogo de ida, em Frederico Westphalen, o União Frederiquense saiu na frente com gol de Felipe Rangel, mas o Brasil buscou o empate ainda no segundo tempo com Gabriel Morbeck, vice-artilheiro da Divisão de Acesso, com sete gols.
A equipe pelotense já tem a temporada 2027 parcialmente definida: o Brasil está garantido na Série D e na Copa Sul-Sudeste, competições que acontecem entre março e setembro. O acesso ao Gauchão, disputado entre janeiro e março, completaria o calendário do clube no ano que vem. Caso não consiga a vaga, o Xavante volta a disputar a Divisão de Acesso, ainda sem data marcada.
União Frederiquense mira o terceiro acesso seguido de Bruno Coutinho
Do outro lado do Bento Freitas está um adversário que também investiu pesado para tentar romper um jejum: o União Frederiquense está fora do Gauchão há quatro anos. O técnico Bruno Coutinho chega embalado por uma sequência rara — subiu Monsoon e Inter-SM nos dois últimos anos e pode emplacar o terceiro acesso consecutivo da carreira caso vença neste sábado.
A decisão em Pelotas carrega ainda um tempero histórico. Como jogador, além de ter passado pelo Grêmio, Coutinho ficou marcado justamente na passagem pelo Pelotas, sendo destaque em um Bra-Pel disputado em 2013 no próprio Bento Freitas. Agora, do lado de fora das quatro linhas, ele reencontra a torcida xavante em um dos jogos mais importantes da história recente do União.
Passo Fundo x Apafut
Ida: 1 a 1, em Bento Gonçalves
Passo Fundo decide em casa; vitória simples garante o acesso.
Brasil de Pelotas x União Frederiquense
Ida: 1 a 1, em Frederico Westphalen
Brasil decide em casa; empate novo leva a disputa aos pênaltis.
O que já está definido para o Gauchão 2027
Enquanto Passo Fundo, Apafut, Brasil de Pelotas e União Frederiquense disputam as duas vagas que faltam, outros dez clubes já garantiram presença na próxima edição do Campeonato Gaúcho: Grêmio, Inter, Juventude, Ypiranga, São Luiz, Novo Hamburgo, Caxias, São José, Monsoon e Guarany. Do outro lado da chave, Avenida e Inter-SM, rebaixados em 2026, já sabem que vão encarar a Divisão de Acesso na temporada que vem.
O que vem depois do apito final. Vencedores de hoje avançam direto para a final da Divisão de Acesso e fecham a lista de participantes do Gauchão 2027, que começa em janeiro. Quem perder — ou cair nos pênaltis — adia o sonho e já projeta o planejamento para uma nova tentativa na próxima Divisão de Acesso, ainda sem data confirmada pela federação.