Falha de campo: Carlos Vinícius escapa de expulsão e arbitragem erra no Gre-Nal 453
Falha de campo: Carlos Vinícius escapa de expulsão e arbitragem erra no Gre-Nal 453
Em noite de 0 a 0 no Beira-Rio, pela ida das quartas de final da Copa do Brasil, Ramon Abatti Abel deixou passar lance claro de segunda advertência ao centroavante gremista
O Beira-Rio parou no zero a zero, mas o placar contou só uma parte da história do Gre-Nal 453. Debaixo da tensão natural de um clássico decisivo pela Copa do Brasil, a arbitragem de Ramon Abatti Abel viveu uma noite de tropeços, e o mais grave deles tem nome e sobrenome: Carlos Vinícius deveria ter deixado o gramado antes do intervalo, expulso, e não deixou.
Um atacante no limite desde o início
Escalado para brigar por cada bola, o centroavante gremista construiu ao longo da primeira etapa um histórico de disputas ríspidas. Aos 20 minutos, já havia esbarrado com violência em Mercado. Depois, seguiu usando os braços de forma perigosa em duelos aéreos e corporais, num crescendo que qualquer olho treinado enxergava caminhando para a advertência.
O amarelo, quando veio, não surgiu de uma disputa de bola comum. Bernabei estava no chão, e Carlos Vinícius tentou erguê-lo à força, na marra, gesto que provocou reação imediata dos jogadores do Inter e um princípio de tumulto generalizado dentro de campo. Ali, o cartão foi inevitável — e, para quem acompanhava o clássico de perto, já soava como aviso final.
O lance que deveria ter mudado o jogo
A infração aconteceu diante dos olhos de todos, sem qualquer sutileza que justificasse hesitação. Ainda assim, Ramon Abatti Abel optou por não punir o atacante gremista pela segunda vez, numa decisão que destoa do currículo de um árbitro Fifa com passagem recente pela Copa do Mundo de 2026 e por competições de ponta ao redor do planeta.
O episódio não pode ser lido de forma isolada. Ele é reflexo de uma dificuldade que já vinha se desenhando desde os primeiros minutos: o controle disciplinar do clássico demorou a ser estabelecido, e essa demora deixou a temperatura do jogo subir a um patamar que a arbitragem, na sequência, não conseguiu mais administrar com o rigor necessário.
Carlos Vinícius era o candidato número um a ser expulso naquele clássico — pela forma como vinha atuando e pelo histórico recente de confrontos.
Análise da transmissão — Gaúcha
Por que o VAR não tem culpa nesse erro
Vale um esclarecimento importante: a falha não pode ser debitada à arbitragem de vídeo. Como a punição correta seria um segundo cartão amarelo, e não uma expulsão direta, o árbitro de VAR, Marco Aurélio Ferreira, não tinha respaldo protocolar para recomendar uma revisão apenas para que Ramon aplicasse a advertência já dada uma vez. Esse tipo de chamada segue sendo, por definição, uma decisão de campo — e foi exatamente ali que o erro se consumou.
⚽ Ficha Técnica
| Competição | Copa do Brasil — Quartas de final (jogo de ida) |
| Local | Estádio Beira-Rio — Porto Alegre, RS |
| Arbitragem | Ramon Abatti Abel (árbitro) e Marco Aurélio Ferreira (VAR) |
| Cartões | Amarelo para Carlos Vinícius (Grêmio), em lance que gerou tumulto no primeiro tempo |
Fica registrado o empate sem gols e também a falha que passou batida diante de mais de vinte mil olhares atentos no Beira-Rio. Carlos Vinícius deveria ter sido expulso. Não foi. E esse foi, sem exagero, o principal equívoco de arbitragem do Gre-Nal 453 — um lance que a volta, na semana que vem, ainda vai deixar ecoar.