Enquete da GZH pergunta se Grêmio deveria abrir mão da Copa do Brasil para se salvar no Brasileirão
Tem um tipo de encruzilhada que só o calendário do futebol brasileiro sabe armar: o mesmo time que sonha com uma final nacional também corre risco real de cair de divisão. É nesse paradoxo que o Grêmio se vê metido às vésperas de novembro. Classificado para as semifinais da Copa do Brasil, contra o Atlético-MG, o Tricolor soma pontos insuficientes no Brasileirão e aparece na 18ª posição, dentro da zona de rebaixamento. A situação levou a Zero Hora a lançar, nesta terça-feira (20), uma enquete direta ao torcedor: vale a pena o clube abrir mão do mata-mata para concentrar forças na permanência na Série A?
Segundo o jornal, a hipótese já é discutida internamente — cogita-se colocar a Copa do Brasil em segundo plano justamente para dar fôlego físico e técnico ao time na briga contra o rebaixamento. Mas, até o momento, nenhuma decisão foi tomada. O clube segue, pelo menos oficialmente, disputando as duas competições com o mesmo peso.
Duas frentes, um elenco só
O dilema é conhecido do futebol brasileiro: times que avançam no mata-mata nacional enquanto lutam contra o descenso frequentemente precisam escolher onde gastar energia. No caso do Grêmio, a conta pesa mais porque a crise não é só de resultado — é também de gestão, como vem sendo apontado por colunistas do próprio jornal gaúcho.
A crise por trás da enquete
Horas antes da enquete ser publicada, o colunista Cesar Cidade Dias já havia descrito o momento do Grêmio como uma repetição de erros que se arrastam há anos. Para ele, o clube virou, nas palavras usadas na coluna, um "inerte moribundo em busca de um velho pensamento mágico" — uma crítica direta à forma como as decisões internas têm sido tomadas fora de hora, sempre reagindo à crise em vez de antecipá-la.
A repetição das práticas e os seus consequentes resultados nos levam a pensar que o clube virou um inerte moribundo em busca de um velho pensamento mágico.
O gatilho mais recente foi uma reunião do Conselho de Administração do Grêmio, na noite de segunda-feira (19), que decidiu manter o atual departamento de futebol até o fim da temporada. Para o colunista, a decisão é óbvia diante do pouco tempo restante de Brasileirão, mas expõe de novo a falta de planejamento que, segundo ele, já é marca registrada da atual gestão.
Faixas de protesto na Avenida Goethe
Enquanto a diretoria discutia o futuro do departamento de futebol, parte da torcida voltou às ruas. Faixas de protesto foram estendidas na Avenida Goethe, nas proximidades do CT Luiz Carvalho, mirando desta vez os nomes de Odorico Roman e Celso Rigo. A cena, segundo a coluna, já é tradição nos últimos anos — antes deles, outras gestões como as de Romildo, Amodeo, Guerra e Brum também viram seus nomes estampados em faixas no Parque Olímpico.
O que está em jogo nas duas competições
No Brasileirão, a urgência é imediata: o Grêmio precisa somar pontos para sair da zona de rebaixamento antes que o calendário se esgote. Já na Copa do Brasil, o prêmio é histórico — uma vaga na final do torneio nacional, com o Atlético-MG como adversário nas semifinais. A enquete da GZH resume o impasse que parte da torcida já discute nas redes: tentar as duas coisas ao mesmo tempo, com o elenco disponível, pode custar caro nas duas frentes.
A enquete segue aberta no site da Zero Hora para quem quiser opinar. Enquanto isso, o Grêmio tem compromisso marcado pelo Brasileirão diante do Coritiba, fora de casa, e depois entra em campo pela ida da semifinal da Copa do Brasil contra o Atlético-MG, com a decisão sobre prioridades ainda em aberto dentro do clube.