Eleição do Inter: disputa equilibrada entre três candidatos mira vagas no segundo turno
Enquanto o Inter joga a sobrevivência dentro de campo, tentando escapar da zona de rebaixamento do Brasileirão, nos corredores do clube a disputa é de outra natureza, mas igualmente tensa. Roberto Melo, José Alfredo Amarante e Leonardo Aquino intensificaram nos últimos dias os contatos com os conselheiros colorados em busca de uma das duas vagas no segundo turno da eleição presidencial. A primeira etapa do pleito acontece na próxima segunda-feira, dia 9 de novembro, no Conselho Deliberativo, e vai definir quem seguirá na corrida para sucessor de Alessandro Barcellos à frente do clube.
Como funciona a votação
Ao todo, 338 conselheiros estão aptos a votar. A expectativa é de que pouco mais de 300 compareçam para depositar seu voto entre 19h e 21h de segunda-feira. A apuração deve ser rápida: em menos de meia hora após o fim da votação, a tendência é que já estejam conhecidos os dois nomes mais votados, que avançam para a etapa seguinte do processo eleitoral, marcada para 12 de dezembro.
A data da votação dos associados coincide com um momento especialmente sensível para o clube: ela ocorrerá uma semana após a última rodada do Brasileirão, quando também estará decidido o desfecho da luta colorada pela permanência na Série A.
Três nomes, nenhum favorito claro
As projeções sobre a eleição indicam um cenário de equilíbrio, sem um candidato com vantagem evidente sobre os demais. A movimentação nos bastidores ganhou força nas últimas semanas, com os três postulantes e seus principais articuladores procurando individualmente os conselheiros para consolidar apoios.
Existem levantamentos e projeções internas sobre a distribuição dos votos, mas a margem de incerteza é considerada grande. Nem todos os compromissos assumidos reservadamente durante a campanha necessariamente se confirmam na hora de votar.
Roberto Melo
Um dos três postulantes à sucessão de Alessandro Barcellos, intensificou os contatos com conselheiros nas últimas semanas.
José Alfredo Amarante
Também concorre a uma vaga no segundo turno, em cenário apontado como equilibrado pelas projeções internas.
Leonardo Aquino
Completa o trio que disputa diretamente os votos dos 338 conselheiros aptos a votar na segunda-feira.
Procurados na tarde de terça-feira — exatamente uma semana antes da votação — os três candidatos demonstraram confiança na própria classificação ao segundo turno, ainda que façam leituras diferentes sobre a composição dos apoios e sobre o cenário eleitoral como um todo. A indefinição nas falas é, segundo o levantamento feito junto aos conselheiros, um retrato fiel do equilíbrio que marca a disputa.
Uma herança pesada, independentemente de quem vença
Qualquer que seja o nome que avance e, posteriormente, seja eleito, o próximo presidente colorado vai assumir um clube diante de desafios financeiros e esportivos relevantes. Depois de seis anos sob o comando de Alessandro Barcellos, o Inter chega ao fim do ciclo com uma dívida considerada enorme e três transfer bans ativos.
Rebaixamento ainda é risco real
O quadro esportivo soma preocupação ao cenário. Pelo segundo ano consecutivo, o Inter chega à reta final do Brasileirão envolvido na luta contra o descenso. Uma eventual queda para a Série B agravaria consideravelmente a situação financeira do clube, com redução de receitas e dificuldades adicionais para honrar os compromissos já assumidos — um cenário que, segundo a apuração, poderia aproximar o Inter de uma condição de insolvência.
A eleição presidencial do Inter segue, portanto, em paralelo à briga por pontos dentro de campo, e as duas disputas devem ter desfechos quase simultâneos: a definição da permanência ou queda na Série A e a passagem para o segundo turno eleitoral estão separadas por poucos dias no calendário colorado. O segundo turno da eleição está marcado para 12 de dezembro.