Dez anos depois do penta, Grêmio recebe o Atlético-MG por vaga na final da Copa do Brasil
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Exatos 3.614 dias separam a noite de 7 de dezembro de 2016, quando o Grêmio ergueu a taça da Copa do Brasil dentro da própria Arena, da tarde deste domingo (1º), em que o estádio volta a recebero mesmo adversário daquela final. O Atlético-MG retorna a Porto Alegre, agora pela semifinal da edição 2026 da competição, em um jogo marcado para as 18h30min e que deve reunir mais de 50 mil torcedores nas arquibancadas. Não é coincidência, é destino: dez anos depois, os dois times voltam a decidir passagem na competição que o Grêmio mais ama disputar.
A última vez que se cruzaram
Em 2016, o cenário era outro. O Grêmio vivia um futebol encantador, de toque de bola e gols que viralizavam, enquanto o Atlético-MG chegava como desafiante, com nomes como Robinho, Lucas Pratto e Victor no time. No jogo de ida, no Mineirão, o Tricolor abriu 2 a 0 com dois gols de Pedro Rocha — autor da melhor atuação da noite, mas também expulso aos 22 minutos da etapa final, deixando a equipe com um homem a menos. A pressão mineira aumentou e Gabriel descontou em bola parada, mas o roteiro já estava escrito: em contra-ataque puxado pelo zagueiro Pedro Geromel, Everton Cebolinha fechou o placar em 3 a 1 e garantiu a vantagem para a volta.
O jogo de volta precisou ser adiado em sete dias por conta da Tragédia da Chapecoense, e a Arena viveu uma noite de emoção antes mesmo da bola rolar, com homenagens à Chape e um minuto de silêncio marcado por um solo de corneta que fez chorar boa parte dos mais de 55 mil presentes. Pressionado por 15 anos sem título, o Grêmio só destravou o jogo aos 43 minutos do segundo tempo, quando Bolaños abriu o placar. O gol de Cazares, três minutos depois, não foi suficiente para apagar a festa gremista, que ainda viu as expulsões de Erazo e Kannemann no fim da partida.
Onde estão os personagens de 2016
- Pedro Rocha — autor dos dois gols e expulso na ida, hoje joga no Coritiba.
- Bolaños — equatoriano que marcou o gol do título na Arena, hoje atua no Guayaquil City, no Equador.
- Kannemann — peça fundamental da defesa gremista daquela campanha, aposentou-se do futebol no fim de 2024.
- Everton Cebolinha — autor do gol que deu tranquilidade na volta, hoje está no Flamengo.
Como chega o Grêmio
O Tricolor vive dias de alívio. Depois de somar seis pontos nos últimos dois jogos do Brasileirão, a equipe conseguiu o que parecia impossível há poucas semanas: colocar o nariz fora da zona de rebaixamento. A arrancada também mudou o clima em torno da Copa do Brasil — até o jogo contra o Coritiba, falar em sonho de título soava quase deslocado dentro do clube. Depois da virada de moral, o discurso mudou de tom.
Parte da reação passa por uma simplificação tática promovida por Renato Gaúcho. Com três zagueiros, menos construção pelo meio-campo e mais bola aérea e cruzamentos, o Grêmio ganhou competitividade: os volantes passaram a ser mais bem assistidos e a equipe cresceu de produção nas duas últimas rodadas.
A Copa do Brasil, aliás, é terreno onde o Grêmio pisa com autoridade histórica. É o segundo maior campeão da competição, com cinco títulos, atrás apenas do Cruzeiro, que tem seis. O apoio da torcida tem acompanhado essa relação afetiva: o jogo das quartas de final contra o Athletico-PR reuniu 35 mil torcedores na Arena, número que deve ser superado neste domingo, com mais de 50 mil esperados no estádio.
Como chega o Atlético-MG
O Galo entra na Arena como favorito, e os números explicam por quê. Desde a chegada do técnico argentino Eduardo Domínguez, em 24 de fevereiro deste ano, o Atlético-MG perdeu apenas duas vezes jogando em casa — para o Flamengo, pelo primeiro turno do Brasileirão, e para o Cruzeiro, no clássico mineiro da última quinta-feira (29). No período, a equipe soma 17 vitórias e cinco empates como mandante, aproveitamento de 77,78%, com 40 gols marcados e 20 sofridos.
O elenco reflete investimentos pesados em janelas recentes. Na defesa, o lateral-esquerdo Renan Lodi costuma contribuir no ataque; no meio, o volante Fred, contratado na metade do ano, tem sido decisivo, como mostrou nas quartas de final contra o Cruzeiro. No setor ofensivo, o meia Cuello soma nove gols e oito assistências em 49 jogos na temporada e é o terceiro jogador que mais criou grandes chances no Brasileirão, com 12. Reinier, revelado pelo Flamengo, vive a melhor fase da carreira desde 2019, com dez gols e quatro assistências em 44 partidas no ano.
Com um time disputando três frentes — semifinalista da Copa do Brasil, finalista da Sul-Americana e na briga pelo G-5 do Brasileirão, onde está em sexto lugar —, o trabalho de Eduardo Domínguez, apelidado de "Barba" pela torcida mineira, já é apontado como garantido para a próxima temporada.
Pontos fortes e pontos fracos do Atlético-MG
Fortaleza em casa
77,78% de aproveitamento como mandante sob Eduardo Domínguez, com apenas duas derrotas em 2026.
Problema fora de casa
Seis vitórias, seis empates e 12 derrotas como visitante; apenas uma vitória em três jogos fora na Copa do Brasil.
Elenco reforçado
Renan Lodi, Fred, Cuello, Reinier, Léo Duarte, Castaño e Thiago Borbas elevaram o nível técnico do grupo.
Departamento médico cheio
Fred e Cuello são dúvidas; Thiago Borbas, Ruan Tressoldi, Cassierra e Vitão também preocupam.
Ataque pelos lados
18 dos 58 gols da equipe na era Domínguez saíram de cruzamentos — nove de cabeça e oito de escanteio.
Gol instável
Éverson lesionado desde setembro; reserva Gabriel Delfim sofreu 19 gols em 15 jogos na temporada.
Três frentes vivas
Semifinalista da Copa do Brasil, finalista da Sul-Americana e dentro do G-5 do Brasileirão.
Vulnerável a cruzamentos
25 dos 51 gols sofridos pelo Galo na temporada, quase a metade, vieram de bolas cruzadas na área.
O que esperar da partida
O próprio perfil do Atlético-MG aponta o caminho de ataque mais provável para o Grêmio. Por buscar o protagonismo e adiantar as linhas, o time mineiro costuma deixar espaços nas transições defensivas — e justamente pelos lados do campo, onde os laterais ofensivos se expõem quando a recomposição não é rápida. Como o Tricolor tem jogado com pontas e vem apostando em bola aérea e cruzamentos desde o ajuste promovido por Renato Gaúcho, o duelo tende a se decidir nos detalhes dessas jogadas pelas beiradas — seja na bola trabalhada do Galo, seja no contra-ataque gremista.
Onde e quando assistir
O que dizem os colunistas
"O torcedor valoriza demais esta competição. Gosta dela e sabe que seu clube tem, entranhada em seus corredores, a cultura da Copa do Brasil. O Grêmio quer conquistar este título."
"Com isso, o time ganhou competitividade. Jogadores cresceram de produção com três zagueiros, os volantes melhoraram porque foram bem assistidos e daí para a frente a bola chegou no ataque."
"Agora penso que precisamos encarar as duas competições com seriedade. Um time do tamanho do Grêmio não pode rifar competição na qual é especialista. De todos os semifinalistas, nós somos quem mais venceu a Copa do Brasil."
"Domingo é força máxima diante do Galo e, no meio da semana que vem, força máxima contra o Flamengo, apesar de já ter dois desfalques certos. Depois vem uma nova Data Fifa para recuperar todo mundo e terminar a temporada com dignidade."
O que vem depois
Independentemente do resultado deste domingo, a semana do Grêmio não para: no meio da semana que vem, o time enfrenta o Flamengo pelo Brasileirão, já contando com dois desfalques confirmados, antes de uma pausa para Data Fifa. No retrospecto da temporada, o Tricolor está a dois jogos de distância de uma vaga na Libertadores de 2027 via Copa do Brasil e a cinco jogos de confirmar a permanência na primeira divisão do Brasileirão.