Brasil de Pelotas vence o Esportivo e fica a dois jogos do acesso ao Gauchão 2027
No meio das parreiras de Bento Gonçalves, onde o vinho e o futebol às vezes disputam a atenção da cidade, o Brasil de Pelotas encontrou o caminho que faltava desde a ida sem gols. Neste sábado (10), na Montanha dos Vinhedos, o Xavante venceu o Esportivo por 2 a 0, com gols de Garré e Morbeck logo no início do segundo tempo, e carimbou vaga na semifinal da Divisão de Acesso. O resultado deixa o time pelotense a apenas dois jogos de voltar ao Gauchão da Primeira Divisão em 2027.
A classificação veio marcada por desfalques de última hora no time visitante, uma primeira etapa truncada e uma segunda metade na qual o Brasil resolveu o confronto em menos de dez minutos, aproveitando ajustes feitos no vestiário durante o intervalo.
Problemas no departamento médico antes da bola rolar
O técnico Júlio César Nunes chegou a Bento Gonçalves com a lista de relacionados reduzida pelas lesões. Rafael Dumas e Matheus Streit desfalcaram o time titular após testes realizados ainda na semana, com o zagueiro começando no banco e o lateral sequer sendo relacionado. Para encaixar o time, Tetê foi deslocado para a primeira linha de defesa, Ramires fez sua estreia como volante titular e Sony Anderson assumiu a lateral-esquerda no lugar de Streit. O atacante Davi Torres, titular até a reta final da fase classificatória, ficou de fora por opção técnica.
Primeiro tempo sem gols e com reclamação de pênalti
A etapa inicial foi de baixa produtividade dos dois lados. Aos 11 minutos, Morbeck recebeu bola longa de Carlos Eduardo, venceu a zaga e tocou para Andrey, que ficou cara a cara com o goleiro, mas caiu após disputa com a defesa antes de concluir. O Xavante reclamou pênalti, mas o árbitro Jonathan Benkenstein Pinheiro não marcou a infração.
O Esportivo respondeu na bola parada: aos 24 minutos, Giovanni cobrou escanteio fechado buscando o gol olímpico e acertou o travessão, com o goleiro Carlos Eduardo apenas observando a bola passar perto. O time da casa, sem o artilheiro Otávio por lesão, apostava no jogo aéreo para criar perigo.
Aos 38 minutos, outro problema físico apareceu no Brasil: Sony Anderson sentiu a perna direita e precisou ser substituído por Otávio, perdendo a principal válvula de escape do time pelo corredor esquerdo. No último lance da primeira etapa, o Esportivo quase abriu o placar: Felippe Borges cruzou da esquerda e encontrou Matheus Rodrigues livre dentro da área, mas o centroavante furou a finalização e desperdiçou a melhor chance do jogo até ali.
Os 52 segundos que mudaram a eliminatória
O que não saiu na primeira etapa veio resolvido logo na volta do vestiário. Em menos de um minuto de bola rolando no segundo tempo, Garré recebeu no meio, arriscou um chute de média distância que desviou na defesa e enganou o goleiro Jeferson, abrindo o placar para o Xavante.
Aos seis minutos, em nova cobrança de falta de Garré na área, o capitão Vitor Becker subiu mais alto que a marcação e cabeceou na trave, por muito pouco não ampliando ainda mais rápido. A resposta veio aos 10 minutos: após lançamento vindo da defesa, Gabriel Morbeck bateu cruzado para fazer o segundo gol do Brasil, encerrando um jejum pessoal de seis jogos sem marcar.
Com a vitória encaminhada, o Xavante cresceu na partida e quase ampliou em duas oportunidades: aos 15 minutos, Ramires cabeceou após cobrança de falta de Garré e exigiu grande defesa de Jeferson; aos 20, Andrey driblou pela esquerda e cruzou para Venício, que não acertou em cheio dentro da pequena área.
Vermelho para o Esportivo e corpo a corpo até o fim
Atrás do placar, o Esportivo teve a posse de bola na etapa final, mas não encontrou brechas na defesa do Brasil. A melhor chance do time da casa saiu aos 29 minutos, quando Ranisson cabeceou para fora após cruzamento da esquerda. Aos 40, o atacante Gabriel Ribas perdeu a cabeça, acertou um chute no zagueiro Vitor Becker e recebeu cartão vermelho direto do árbitro.
Com um jogador a mais, o Xavante quase marcou o terceiro aos 44 minutos: Otávio recebeu lançamento dentro da área e finalizou de primeira, mas Jeferson fez boa defesa. Nos acréscimos, os zagueiros Gabriel Mancha e Tetê se chocaram em disputa de bola e caíram sentindo dores. Como o Brasil já não tinha substituições disponíveis, os dois precisaram terminar a partida em campo e se tornaram dúvida para a semifinal.
Garré
Abriu o placar logo no início do segundo tempo com um chute que desviou na defesa e enganou o goleiro do Esportivo.
Gabriel Morbeck
Fez o segundo gol de cabeça... na verdade de perna, cruzado, e encerrou jejum de seis partidas sem balançar as redes.
Gabriel Ribas (Esportivo)
Deixou o time da casa com um jogador a menos ao acertar um chute no zagueiro Vitor Becker, aos 40 minutos do segundo tempo.
Sony Anderson
Sentiu a coxa direita no primeiro tempo e é suspeita de lesão muscular que pode tirá-lo do restante da competição.
O que disse o técnico Júlio César Nunes
Após a partida, o treinador do Brasil de Pelotas destacou os ajustes feitos no intervalo e a eficiência do time logo no início da etapa final.
"A gente conseguiu fazer um primeiro tempo de igual para igual. Com alguns ajustes no intervalo, nós conseguimos já no início do segundo tempo fazer o gol, que nos facilitou muito. A gente conseguiu ter uma consistência defensiva que já tínhamos na reta final da fase classificatória e fomos mais efetivos na parte ofensiva, que era o que a gente vinha cobrando."
Sobre a lesão de Sony Anderson, o técnico preferiu esperar a avaliação médica antes de confirmar a gravidade.
"Agora a gente vai avaliar com o departamento médico. Muitas vezes a gente espera 24 horas e não é tão grave. Vamos avaliar realmente se foi uma lesão muscular."
Questionado sobre o próximo adversário, Júlio César Nunes evitou cravar favoritismo e projetou um confronto equilibrado.
"Só sobrou equipes boas, independentemente de quem vier, a gente vai estar preparado."