Bola de Ouro 2026: Dembélé busca repetir o título em Londres, numa disputa sem favorito
Londres troca de papel nesta segunda-feira. A cidade que historicamente observa o futebol europeu de fora, como torcedora de luxo das grandes decisões continentais, hoje se torna palco. No palco do London Palladium Theatre, a partir das 17h no horário de Brasília, a France Football entrega a 70ª Bola de Ouro, e faz isso em homenagem a um inglês: Stanley Matthews, o primeiro vencedor do troféu, em 1956. A mudança de endereço — a cerimônia costumava acontecer no Théâtre du Châtelet, em Paris — é só o detalhe mais visível de uma edição que também rompe com o roteiro recente: não há um nome que chegue à noite como favorito indiscutível.
O francês Ousmane Dembélé, atual campeão e um dos 30 indicados a melhor jogador, tenta repetir o feito que coroou sua temporada de 2025 pelo PSG. Mas ele soma companhia de peso na lista: Kylian Mbappé, Harry Kane, Lamine Yamal, Lionel Messi e Rodri chegam à votação com argumentos tão fortes quanto diferentes entre si — e nenhum com a vantagem clara que marcou disputas recentes.
Uma premiação que mudou de cara em 70 anos
Desde que Matthews ergueu o primeiro troféu, a Bola de Ouro já passou pelas mãos de zagueiros, goleiros, meio-campistas e atacantes de praticamente todos os cantos do futebol europeu — e, eventualmente, sul-americano. Com a conquista de Dembélé em 2025, a França alcançou oito títulos e igualou a Argentina como maior vencedora da história, recorde erguido inteiramente pelos oito prêmios de Lionel Messi. Alemanha, Holanda e Portugal vêm atrás, com sete conquistas cada. O Brasil já venceu cinco vezes, com Ronaldo (1997 e 2002), Rivaldo (1999), Ronaldinho Gaúcho (2005) e Kaká (2007).
A premiação também já surpreendeu ao sair do eixo ofensivo: o goleiro soviético Lev Yashin venceu em 1963, e o zagueiro italiano Fabio Cannavaro, em 2006. Rodri, vencedor em 2024, provou que um volante também pode levar o prêmio em plena era de artilheiros.
Os principais nomes na briga
A edição de 2026 avalia o período entre 3 de agosto de 2025 e 19 de julho de 2026 — recorte que inclui, pela primeira vez em um ciclo de Bola de Ouro, uma Copa do Mundo. O Mundial sediado por Estados Unidos, México e Canadá, vencido pela Espanha, entra na conta dos jurados e reorganiza o tabuleiro de favoritismo.
Kylian Mbappé
42 gols em 44 jogos na temporada, artilheiro do Espanhol (25) e da Champions (15), e Chuteira de Ouro da Copa do Mundo pelo segundo Mundial seguido, com 10 gols. Mas o Real não conquistou nada relevante — caiu nas quartas da Champions — e a França ficou em quarto lugar no Mundial.
Harry Kane
73 gols em 65 jogos somando clube e seleção. Artilheiro da Bundesliga (36 gols) e campeão alemão, da Copa da Alemanha e da Supercopa. Faltou a Champions — eliminado nas semifinais pelo próprio PSG — e a Inglaterra ficou em terceiro no Mundial.
Lamine Yamal
Aos 19 anos, vice em 2025, chega com o título mundial no currículo, além do Espanhol e da Supercopa pelo Barça. Mas teve Mundial discreto em números — 1 gol em 8 jogos — e viu o Barcelona cair nas quartas da Champions.
Lionel Messi
Aos 39 anos, tenta um nono troféu após levar o Inter Miami ao título inédito da MLS Cup e terminar como vice-artilheiro e segundo melhor jogador do Mundial. Perdeu a final da Copa do Mundo para a Espanha e não disputa a Champions League.
Rodri
Dono da Bola de Ouro de 2024, foi eleito pela Fifa o melhor jogador da Copa do Mundo como capitão da campanha espanhola. Pelo City, venceu duas copas nacionais antes de se transferir ao Barcelona após o Mundial.
Ousmane Dembélé (atual campeão)
Peça-chave do PSG campeão da Champions League na temporada passada, tenta repetir o título ao lado de companheiros de equipe também indicados, como Kvaratskhelia, Vitinha, Hakimi, João Neves e Nuno Mendes — um dos elencos mais representados entre os 30 finalistas.
A quantidade de jogadores do PSG na lista chama atenção e reforça um argumento coletivo: o time parisiense venceu a Champions e pode repetir, com Dembélé, o feito de ter o melhor jogador do mundo saído de seu próprio elenco — como ocorreu em 2025.
Brasil representado em quatro categorias
Mesmo sem favorito ao prêmio principal, o Brasil chega a Londres com presença em quatro frentes da premiação. Vini Jr., Marquinhos e Gabriel Magalhães disputam a Bola de Ouro de melhor jogador. Lorena concorre tanto a melhor jogadora quanto a melhor goleira — uma indicação dupla rara. E o Flamengo é um dos cinco finalistas a clube do ano, concorrendo com nomes do calibre de Arsenal, Bayern de Munique, Bodo/Glimt e PSG.
Como funciona a votação
Regulamento da Bola de Ouro 2026
Período avaliado: 3 de agosto de 2025 a 19 de julho de 2026, incluindo a Copa do Mundo.
Critérios, em ordem de importância:
1. Desempenho individual, caráter decisivo e impressionante.
2. Desempenho coletivo e conquistas de equipe.
3. Classe e fair play.
Como se vota: a France Football define 30 finalistas com apoio do L'Équipe e de embaixadores da Uefa. Cada jurado — um jornalista especializado por país somado aos cem melhores jogadores do ranking Fifa — elabora um top 10. A pontuação vai de 15 pontos para o primeiro colocado até 1 ponto para o décimo. Vence quem somar mais pontos ao final da apuração.
Onde assistir
A cerimônia começa às 17h (horário de Brasília) desta segunda-feira, no London Palladium Theatre, em Londres. A transmissão fica a cargo da DAZN, em formato de streaming.
Em poucas horas, Londres vai interromper a rotina de uma segunda-feira para testemunhar o que o futebol europeu tem de mais simbólico: a escolha do melhor do mundo. Seja qual for o nome anunciado no palco do Palladium, a edição de 2026 já entra na história como uma das mais equilibradas e imprevisíveis dos últimos tempos — e com o Brasil espiando de perto, torcendo por Vini Jr., Marquinhos, Gabriel Magalhães, Lorena e pelo Flamengo.