Cotovelada sem punição: Barcellos recorre à CBF após lance de Carlos Vinícius no Gre-Nal 453
Cotovelada sem punição: Barcellos recorre à CBF após lance polêmico no Gre-Nal 453
Empate sem gols no Beira-Rio guarda a verdadeira decisão para o jogo de volta, mas um lance nos acréscimos do primeiro tempo virou o centro das atenções e levou o presidente colorado a buscar uma resposta oficial da arbitragem brasileira
Houve noites em que o Beira-Rio guardou silêncio sobre o placar, mas gritou sobre a Justiça. Foi assim no Gre-Nal 453, quando os noventa minutos entre Internacional e Grêmio, pela ida das quartas de final da Copa do Brasil, terminaram zero a zero — um resultado que preserva o mata-mata em aberto, mas que não conseguiu apagar da memória dos torcedores uma jogada isolada, rápida, quase imperceptível a olho nu, mas capaz de reacender a eterna discussão sobre os limites da arbitragem no futebol gaúcho.
O lance que ofuscou o empate
Nos instantes finais da primeira etapa, já nos acréscimos, o clássico vivia seu momento de maior tensão. Carlos Vinícius, atacante do Grêmio que minutos antes já havia sido advertido em uma confusão dentro de campo, protagonizou um novo episódio: um contato de cotovelo no rosto de Bruno Gomes, lateral colorado. A arbitragem de Ramon Abatti Abel, no entanto, optou por não aplicar o segundo cartão amarelo ao gremista — decisão que, mesmo revisada pelo VAR, permaneceu inalterada.
A cena, revista sob diferentes ângulos pelas transmissões, dividiu opiniões dentro de campo, mas não fora dele: a repercussão entre comentaristas e dirigentes foi de praticamente unanimidade sobre a gravidade da ação.
Barcellos vai à forra institucional
Ainda no gramado do Beira-Rio, o presidente do Internacional, Alessandro Barcellos, não escondeu a insatisfação com a atuação da arbitragem. Mais do que reclamar do resultado esportivo, o mandatário colorado optou pela via institucional, prometendo levar o caso à sede da confederação em busca de uma avaliação técnica independente sobre a conduta de Ramon Abatti Abel durante o clássico.
Segundo Barcellos, a consulta feita ao entorno do clube não encontrou nenhuma voz dissonante sobre a gravidade do lance — o consenso, segundo ele, é de que a ação de Carlos Vinícius, na melhor das hipóteses, mereceria advertência, e na pior, expulsão sumária.
Em primeiro lugar, lamentável a atuação do árbitro em um lance capital do jogo. Não tem nenhum comentarista que eu tenha ouvido que não concordasse que o lance do Carlos Vinícius era, no mínimo, para amarelo. O VAR teria que ter chamado, porque aquele era lance para vermelho.
Alessandro Barcellos — presidente do Internacional
O dirigente foi além e detalhou o objetivo do movimento: não se trata apenas de um protesto público, mas de uma tentativa formal de obter um posicionamento técnico da entidade máxima do futebol brasileiro sobre o critério aplicado pela arbitragem em campo.
São erros que influenciam na partida. Nós vamos representar. Não me lembro de nenhuma vez que isso tenha dado algum resultado, mas é importante que a gente faça isso — que se manifeste qual é a opinião, do ponto de vista técnico, daqueles que comandam a arbitragem no Brasil.
Alessandro Barcellos — presidente do Internacional
Com um misto de resignação e insistência, o presidente colorado reconheceu o histórico pouco animador desse tipo de gestão junto à CBF, mas reforçou que o clube seguirá cobrando explicações — mesmo sabendo que, ao final do expediente, o árbitro simplesmente segue para casa, tenha acertado ou errado.
⚽ Ficha Técnica
| Competição | Copa do Brasil — Quartas de final, jogo de ida |
| Data | Quinta-feira, 27 de agosto de 2026 |
| Local | Estádio Beira-Rio — Porto Alegre, RS |
| Destaque | Cotovelada de Carlos Vinícius em Bruno Gomes nos acréscimos do 1º tempo, sem cartão adicional |
| Arbitragem | Ramon Abatti Abel |
Resta agora ao Grêmio e ao Internacional decidirem a vaga na semifinal em campo, no jogo de volta. Mas, enquanto a bola não rola novamente, é nos bastidores e nos gabinetes da CBF que o Gre-Nal 453 promete seguir rendendo capítulos — prova de que, no futebol gaúcho, mesmo o silêncio do placar pode ser o prenúncio de um barulho institucional.