Balanço Grená: Roberto De Vargas admite erros de planejamento, detalha finanças e descarta reeleição no Caxias
Balanço no Centenário: Roberto De Vargas admite falhas no planejamento, detalha caixa e descarta reeleição
Após a confirmação da eliminação grená na Série C, presidente do Caxias faz mea-culpa sobre o comando técnico no início do ano e projeta o futuro político e financeiro do clube
Quando o apito final selou o encerramento da participação da Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias na Série C do Campeonato Brasileiro de 2026, o silêncio nas arquibancadas do Estádio Centenário deu lugar à voz firme de seu mandatário. Em uma entrevista coletiva marcada pelo tom de sobriedade e transparência, o presidente Roberto De Vargas encarou os microfones para fazer um diagnóstico preciso de uma temporada conturbada, onde o sofrimento nas quatro linhas exigiu correções de rota profundas e imediatas.
O peso das escolhas: o mea-culpa no futebol
Sem se esquivar da responsabilidade pelos momentos oscilantes enfrentados ao longo do ano, De Vargas colocou as escolhas iniciais da montagem do elenco sob rigorosa análise. O mandatário revelou que a insistência em um perfil técnico desalinhado com as necessidades do clube acabou por condicionar toda a caminhada grená na competição.
"O que eu mais me arrependo? Há tanta coisa para a gente refletir. Não há um ponto único que eu elenque como o maior arrependimento. Acredito que ter mantido aquele treinador (Fernando Marchiori) no começo, com aquela filosofia de jogo, foi crucial para nós. As contratações que foram feitas ali traçaram o rumo do ano e, para a gente corrigir a rota depois, foi extremamente difícil." — Roberto De Vargas, Presidente da S.E.R. Caxias
A constatação do dirigente expõe a complexidade do futebol moderno: errar no embrião do planejamento gera um efeito dominó cujos custos ultrapassam os limites táticos e cobram seu preço na tabela de classificação.
Saúde financeira e gestão de passivos
Se dentro de campo o ano exigiu contorcionismos, fora dele a diretoria trabalhou para manter o Centenário nos trilhos. Roberto De Vargas fez questão de detalhar a realidade orçamentária grená, desmistificando boatos sobre um suposto descontrole nas finanças e ressaltando os esforços para abater compromissos herdados de gestões passadas.
Segundo o mandatário, o aumento de investimento na equipe principal durante 2026 foi uma exigência natural da competição, o que causou um déficit pontual sem, contudo, comprometer a saúde global do clube. Com o término adiantado do calendário profissional, a diretoria agora volta suas atenções ao encerramento de contas, quitação da folha de pagamento e empréstimo de atletas vinculados para amortecer a folha durante os quatro meses de inatividade do futebol profissional.
Transição política e o horizonte da SAF
O momento de maior impacto na coletiva veio no campo institucional. Roberto De Vargas anunciou oficialmente que não concorrerá à reeleição ao comando do executivo. Demonstrando desapego a vaidades políticas, o presidente deixou claro seu apoio irrestrito a qualquer chapa que venha a assumir a gestão do Caxias, inclusive mostrando flexibilidade quanto a uma eventual antecipação do pleito por parte do Conselho Deliberativo.
Expectativa de consolidação de uma ou duas chapas concorrentes, mantendo o foco exclusivo no bem-estar institucional do clube.
Avanço consistente nas tratativas para implementação da SAF grená, com novidades relevantes previstas entre o fim de 2026 e início de 2027.
"Qualquer presidente que assumir a cadeira aqui terá o meu apoio. Para nós três que estamos na diretoria, não existe política, existe o Caxias. Portanto, qualquer um que sentar aqui vai contar com o nosso respaldo." — Roberto De Vargas, sobre o futuro político do clube