Da guerra ao Alfredo Jaconi: Ari Moura desembarca no Juventude com a bagagem cheia de maturidade
Da guerra ao Alfredo Jaconi: Ari Moura desembarca no Juventude com a bagagem cheia de maturidade
Último contratado da janela alviverde, atacante viveu cinco temporadas no futebol europeu, driblou bombardeios na Ucrânia e agora mira minutos contra o Londrina
Há reforços que chegam com a leveza de quem apenas troca de uniforme, e há aqueles que carregam consigo uma travessia inteira. Ari Moura Vieira Filho pertence à segunda categoria. Nesta sexta-feira (28), sob o teto do CT do Juventude, o atacante foi oficialmente apresentado à torcida alviverde, encerrando um ciclo de cinco temporadas fora do Brasil que incluiu, nos capítulos finais, o som de sirenes e a rotina tensa de um país em guerra.
Um nome pensado para o último terço
A contratação não nasceu do acaso. Segundo o diretor executivo Lucas Andrino, a diretoria buscava um jogador capaz de decidir o um contra um perto da área adversária, característica que o elenco alviverde sentia falta neste momento da temporada. Ari, vindo do futebol ucraniano, foi identificado justamente por essa qualidade técnica refinada nos metros finais do gramado, onde a criatividade costuma pesar mais do que a força.
A decisão que não pediu segunda chance
Em sua fala de apresentação, o atacante não escondeu a pressa em aceitar o convite verde e branco. Para ele, o tamanho institucional do clube e o desejo antigo de voltar ao país pesaram na balança antes mesmo de qualquer negociação mais longa.
O Juventude é um clube muito conhecido, é um clube muito grande. Então, quando eu recebi a proposta, não pensei duas vezes, aceitei esse desafio. Eu tinha vontade também de retornar ao Brasil e retornar ao Juventude, que é um clube com essa estrutura, com esse tamanho. É muito gratificante para mim.
Ari Moura — atacante do Juventude
O jogador completou o raciocínio destacando a recepção imediata dentro do vestiário, sinal, segundo ele, de que a adaptação ao novo grupo começou antes mesmo da bola rolar.
Estou me sentindo bem, o grupo me recepcionou muito bem. Me sinto em casa e estou muito feliz de estar aqui.
Ari Moura — atacante do Juventude
O peso de três anos sob alerta de guerra
Antes de vestir a camisa alviverde, o atacante precisou lidar com um cenário que ultrapassa qualquer desafio esportivo: um novo idioma, um clima estranho ao corpo brasileiro e, principalmente, a convivência direta com os efeitos de uma guerra. Foram três anos sob esse pano de fundo, tempo em que a vontade de retornar ao Brasil, segundo ele próprio, nunca deixou de existir.
No começo foi um pouco complicado, um país com guerra, mas eu consegui manter a cabeça boa. Fiquei por três anos lá e realmente eu tinha essa vontade de retornar ao Brasil. Estou muito feliz de estar aqui agora, vida nova e seguir os objetivos.
Ari Moura — atacante do Juventude
Maturidade como principal bagagem
Se a experiência internacional trouxe dificuldades, também deixou lastro. Ari faz questão de transformar o período fora do país em ferramenta a favor do grupo, prometendo estabilidade emocional e repertório de jogo aos novos companheiros na briga por resultados do Juventude na temporada.
Eu creio que eu volto mais maduro, com mais experiência. Eu passei um longo período fora do Brasil, que eu adquiri essa experiência, venho para agregar, venho para ajudar meus companheiros ao nosso objetivo principal.
Ari Moura — atacante do Juventude
Com a apresentação oficial encerrada, resta ao torcedor alviverde acompanhar os próximos passos da adaptação. A comissão técnica de Maurício Barbieri já sinaliza a possibilidade de utilizá-lo diante do Londrina, num primeiro teste de campo para um jogador que trocou o front europeu pela disputa por espaço no ataque do Juventude.