O abismo entre a Dupla Gre-Nal e o topo: quando a gestão supera o cofre
O abismo entre a Dupla Gre-Nal e o topo: quando a gestão supera o cofre
O futebol gaúcho enfrenta a dura realidade de ter se tornado, por escolhas próprias e falta de planejamento, segunda linha no cenário nacional.
A distância que separa hoje o Internacional e o Grêmio de clubes como Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro e Atlético-MG não é apenas um reflexo de cifras bancárias. Embora o poder financeiro seja um fator inegável, a história do futebol gaúcho é rica em exemplos de que o sucesso não depende exclusivamente do maior orçamento do país.
A memória como prova
Olhar para o passado recente é um exercício de humildade. Em 2006, o Internacional montou um time histórico — com nomes como Ceará, Índio, Bolívar, Rubens Cardoso, Edinho, Alex, Rafael Sobis, Pato, Iarley e a liderança de Fernandão — não através de uma coleção de estrelas compradas a peso de ouro, mas por meio de um trabalho de montagem consciente. Havia um conceito, um departamento de futebol que sabia o que buscava e jogadores que encontraram no Beira-Rio o auge de suas carreiras.
Da mesma forma, o Grêmio dos anos 90 provou que o dinheiro não é o único caminho para a glória. Enquanto enfrentava potências financeiras da época, o Tricolor respondia com um modelo de jogo sólido, potencializando o que tinha à disposição e competindo de igual para igual. O que mudou não foi apenas o saldo bancário, foi a capacidade de gerir o futebol.
A inversão de valores
O maior entrave atual da dupla Gre-Nal parece ser a ausência de um conceito claro de departamento de futebol. Frequentemente, a contratação precede o planejamento. Primeiro busca-se o que está disponível no mercado, para só depois tentar encaixar o atleta em um esquema tático. Sem um perfil definido, o que deveria ser um projeto esportivo torna-se uma aposta arriscada.
Enquanto o Palmeiras soube transformar sua base e sua gestão em receita e patrimônio esportivo, e o Flamengo modernizou sua estrutura, Inter e Grêmio viram o trem da modernização passar. A crise financeira não surgiu do nada; ela é o resultado acumulado de decisões equivocadas, desperdício de recursos e a teimosia em manter modelos de gestão que já não dialogam com a realidade do futebol brasileiro atual.