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A conta que o Grêmio não pode mais errar: colunista cobra fim do pragmatismo contra o Z-4

Por: Redação FutebolRS 05/11/2026 Notícias
Cesar Cidade Dias, da GZH, defende que a meta de 43 pontos ficou obsoleta: com a reação dos times da parte de baixo da tabela, o Tricolor pode precisar de pelo menos 44 pontos para escapar — e isso significa buscar oito nos quatro jogos finais do Brasileirão.
Especial · Análise

5 de novembro de 2026 · Porto Alegre · Redação

Tem um tipo de matemática que não perdoa sentimentalismo, e o Grêmio chegou exatamente nesse ponto da conta. Faltam poucas rodadas, o Z-4 está mais perto do que gostaria a torcida tricolor, e um dos colunistas mais ouvidos do futebol gaúcho decidiu dizer em voz alta o que muita gente já suspeitava: a meta que o clube vinha carregando como suficiente para escapar do rebaixamento ficou pequena diante do que acontece na parte de baixo da tabela do Brasileirão.

Em texto publicado nesta quinta-feira na GZH, Cesar Cidade Dias defende que o pragmatismo do Grêmio em relação às próprias necessidades precisa ser revisto com urgência. O argumento é simples e incômodo: os rivais diretos na briga contra a degola melhoraram de rendimento nas últimas rodadas, pontuando em jogos que pareciam perdidos, e isso empurra pra cima o número mínimo de pontos necessário pra respirar tranquilo na última rodada.

Uma meta que já nasceu curta

Durante boa parte da segunda metade da temporada, a referência interna para o Grêmio escapar do rebaixamento girava em torno de 43 pontos. Era um número baseado em campanhas históricas de times que se salvaram na Série A. Só que, segundo o colunista, esse cálculo não resiste mais à realidade do returno: equipes que vinham fazendo campanhas sofríveis despertaram na reta final e começaram a vencer jogos que, pelo histórico recente, pareciam improváveis.

É um fenômeno conhecido de quem acompanha o Brasileirão todos os anos — e Cidade Dias não hesita em lembrar disso no texto.

"A projeção de pontos para escapar deve aumentar e isso precisa estar bem claro para todos. A ideia de jogar por 43 pontos não me parece plausível neste momento. Esse objetivo será insuficiente diante do crescimento de alguns times que estavam fazendo campanhas sofríveis, e que agora, curiosamente, começam a ganhar jogos improváveis. Isso acontece sempre no Campeonato Brasileiro e, neste ano, não está sendo diferente." — Cesar Cidade Dias, colunista da GZH

O novo número mágico: 44

Pela leitura do colunista, a tendência é que 44 pontos sejam o novo piso de segurança pra quem quer seguir na primeira divisão em 2027. O Grêmio está na 17ª posição, dentro da zona de rebaixamento, com 37 pontos somados até aqui. A conta, portanto, é direta: faltando quatro jogos, o time precisa somar pelo menos oito pontos para fechar a temporada livre do Z-4 — ou seja, não pode se dar o luxo de perder praticamente nenhum confronto decisivo.

Situação atual 17º lugar 37 pontos, dentro da zona de rebaixamento do Brasileirão.
Nova meta 44 pontos Piso estimado para escapar do Z-4, segundo a coluna.
Conta da reta final 8 pontos em 4 jogos O mínimo necessário para o Grêmio fechar a conta da permanência.
Impacto financeiro R$ 150 milhões Queda estimada na receita do clube em caso de rebaixamento à Série B.

Copa do Brasil é importante, mas não pode desviar o foco

O texto reconhece que o próximo final de semana vai ser dominado pelas atenções da Copa do Brasil — e não poderia ser diferente, já que o Grêmio defende uma vantagem construída na ida da semifinal para chegar à decisão. Mas o colunista insiste num ponto que considera inegociável: o verdadeiro título da temporada, para o Grêmio, diante do cenário atual, é a permanência na Série A.

"É sempre importante estar na decisão de uma grande competição, mas não podemos perder jamais a ideia de que o grande título do Grêmio, diante de tudo que se vê, é a permanência na Série A." — Cesar Cidade Dias

A lógica financeira reforça o argumento. Um título da Copa do Brasil encheria os cofres do clube, sem dúvida. Mas a queda para a Segunda Divisão mudaria parâmetros financeiros essenciais para a sobrevivência do Grêmio nos próximos anos — a conta estimada pelo colunista é de uma diminuição de cerca de R$ 150 milhões na receita anual em caso de rebaixamento. É o tipo de número que não cabe em discurso de vestiário, mas que define o tamanho real do que está em jogo em novembro.

O ponto central da coluna: mesmo com a Copa do Brasil turbinando o calendário e o otimismo da torcida, a prioridade estatística e financeira do Grêmio segue sendo a pontuação no Brasileirão. Perder o foco nessa conta, para o colunista, é o maior risco do mês.

Novembro como mês decisivo

Para Cidade Dias, o mês que começa agora precisa ser tratado como um bloco único de esforço máximo, pensamento positivo e apoio irrestrito da torcida — não como um calendário dividido entre "o jogo importante" e "os outros".

"O mês de novembro, por tudo, terá de ser de total esforço, pensamento positivo e apoio total de toda a comunidade gremista. Estar com o Grêmio é um mantra importante nas horas difíceis e essa é a mensagem da hora. Que os nove pontos apareçam nestas decisões e que a Copa do Brasil vire a magia apoteótica de coroamento para a solução de um grande problema." — Cesar Cidade Dias

A fala final do colunista mistura dois planos: o Brasileirão, que exige pontos e cálculo frio, e a Copa do Brasil, que oferece a chance de uma conquista capaz de coroar a temporada — desde que não vire desculpa para relaxar na outra frente.

O presente: Grêmio folgado, mas de olho no calendário

É exatamente nesse equilíbrio que o Grêmio vive a semana. No sábado, 7 de novembro, o time entra em campo contra o Atlético-MG, na Arena MRV, em Belo Horizonte, para fechar a semifinal da Copa do Brasil. A vantagem construída no jogo de ida, vencido por 2 a 0 em Porto Alegre, dá ao Tricolor a tranquilidade de poder perder por um gol de diferença e ainda assim avançar à final — empate ou vitória também garantem a classificação.

É justamente esse tipo de conforto, segundo a tese do colunista, que não pode se repetir na leitura do Brasileirão. Lá, o Grêmio não tem margem de erro: precisa tratar cada rodada das quatro que restam como decisão, porque a tabela já provou, nas últimas semanas, que shows da parte de baixo seguem acontecendo — e quem joga por menos corre o risco de pagar caro no fim.

O recado da coluna é claro: a Copa do Brasil pode entregar uma alegria e um reforço financeiro bem-vindo, mas o Grêmio só garante o próximo ano na Série A com pontos no Brasileirão. Os próximos quatro jogos vão dizer se o pragmatismo do clube foi revisto a tempo — ou se a conta, mais uma vez, ficou curta.

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