Faltam 300 dias: o que já se sabe sobre a Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil
Faltam 300 dias: o que já se sabe sobre o Mundial que vai colorir oito cidades brasileiras
Entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, o país inteiro vira palco do futebol feminino — e Porto Alegre, com sete partidas marcadas para o Beira-Rio, já se prepara para receber o mundo
Trezentos dias. É esse o número que separa o Brasil do apito inicial de uma Copa do Mundo que promete atravessar fronteiras dentro e fora de campo. Se há dois meses a contagem regressiva era apenas um número redondo estampado em uma cerimônia oficial em Brasília, hoje ela já tem rosto, endereço e cronograma. Estádios definidos, seleções confirmadas, cidades se organizando — o Mundial Feminino de 2027 deixou de ser promessa distante para se tornar um calendário que já bate à porta de oito capitais brasileiras, entre elas Porto Alegre.
Uma contagem que já sai do papel
A secretária extraordinária da Copa Feminina em Porto Alegre, Débora Garcia, resume bem o momento: os 300 dias marcam uma fase em que o planejamento deixa de ser apenas institucional para ganhar as ruas, as escolas e os espaços esportivos da cidade. A lógica por trás do trabalho é simples de enunciar e complexa de executar — fazer com que o torneio não se resuma às noites de jogo dentro do estádio, mas se espalhe pelo tecido social de quem vai recebê-lo.
Uma Copa do Mundo não se resume ao que acontece dentro de quatro linhas. Ela é capaz de transformar a cidade inteira que a recebe — e é isso que estamos construindo desde já, nas escolas, nos projetos sociais, nas comunidades.
Débora Garcia — secretária extraordinária da Copa Feminina em Porto Alegre
O caminho que o Brasil já conhece
Por sediar o torneio, a Seleção Brasileira ganhou um privilégio raro no futebol: soube antecipadamente por onde vai passar. A abertura está marcada para o Maracanã, no dia 24 de junho, e as demais partidas da fase de grupos levarão a equipe à Arena Itaquera, em 29 de junho, e ao Mané Garrincha, em 4 de julho.
Dali em diante, o destino depende do desempenho. Terminando em primeiro no Grupo A, as brasileiras seguem para as oitavas no Castelão (10/7), quartas no Mineirão (16/7) e semifinal de volta a Itaquera (20/7). Como segunda colocada, o trajeto se inverte: oitavas em Belo Horizonte (11/7), quartas em Fortaleza (17/7) e semifinal no Rio de Janeiro (21/7). A disputa pelo terceiro lugar acontece em São Paulo, no dia 24, e a grande final fecha o ciclo onde tudo começou — no Maracanã, em 25 de julho.
Porto Alegre entra em campo
Entre as oito cidades-sede, a capital gaúcha carrega uma responsabilidade especial. Serão sete jogos recebidos pelo Beira-Rio — seis da fase de grupos e um confronto das oitavas de final —, e cada um deles é tratado pela organização local como uma vitrine em potencial.
"Sete jogos significam sete chances de mostrar quem somos", resume Débora Garcia, ao falar da hospitalidade, da gastronomia e da capacidade organizativa que a cidade pretende exibir ao público que chegará de fora. Mas o discurso vai além do torcedor visitante: a aposta declarada é transformar o evento em legado, algo que continue de pé depois que o circo do futebol seguir viagem.
Para isso, Porto Alegre já projeta um espaço de Fan Fest, ativações espalhadas pela cidade e o chamado Caminho das Gurias — iniciativa inspirada no Caminho do Gol, que embalou a Copa de 2014, agora reformulada para celebrar o protagonismo feminino dentro e fora dos gramados.
Ingressos e voluntariado: interesse em alta, preços por vir
A Fifa ainda não abriu oficialmente a venda de entradas, mas o termômetro já aponta para uma procura expressiva: mais de 750 mil pessoas registraram interesse em acompanhar os jogos ao vivo. Os valores definitivos seguem em segredo, mas a expectativa é de tabelas mais acessíveis do que as praticadas na Copa masculina de 2026, que chegaram a patamares considerados exorbitantes por parte do público. Como referência, a Copa Feminina da Austrália e Nova Zelândia, em 2023, cobrou entre 20 e 120 dólares australianos dependendo da fase e do mando de campo — valores que no Brasil de 2027 deverão ganhar nova régua.
Do lado de quem quer trabalhar no evento, e não apenas assisti-lo, o apelo também já rende números robustos. Cerca de 6 mil vagas de voluntariado serão distribuídas entre as oito sedes, sem exigência de experiência prévia — bastam 18 anos completos, documentação regular para permanência no país durante o torneio e domínio do português ou do inglês. Mais de 95 mil pessoas já se cadastraram no formulário de interesse, à espera da abertura oficial das inscrições.
Ainda faltam 300 dias, mas o desenho do Mundial já está no papel — e, aos poucos, ganhando as ruas de Porto Alegre. Entre o apito inicial no Maracanã e a taça erguida em julho de 2027, o Brasil tem pela frente um ano de trabalho que promete ultrapassar os limites do gramado.